Tiago Russo

Designer

Tiago Russo - Designer

Tiago Russo foi com paixão que entrou no mundo do design, e é com perfeccionismos que apresenta tudo o que faz na sua profissão.
Foi a companheira, e também  designer, Kátia Martins, que o influenciou a participar no Concurso de Design – HOME SWEET HOME by SIEMENS.
Considera que é necessário mudar a cultura para que o design ganhe expressão nacional, o conceito design está “banalizado” …. hoje tudo “é” Design, tudo “tem” Design.
No campo nacional, o designer Pedro Silva Dias é uma referência, mas de forma geral considera que os portugueses são desenrascados, mais do que criativos, embora os dois conceitos se misturem muitas vezes….

“Criativos, somos, mas nem sempre, e adaptando uma expressão tipicamente portuguesa: “tem dias…” …”

Talvez por influências do pai, que é um aficionado pelo automobilismo e pelo Design Automóvel,  justifique a sua  paixão pelo design.
Aos seis anos dedicava-se a desenhar  automóveis, a criar novos modelos, novas peças, e esse era o seu sonho: tornar-me num Designer Automóvel, que outros sonhos fazem parte da vida de Tiago Russo?!?!?!?… o melhor é descobrir….

Lisboa Design Show  (LXD) – Quem é o Tiago Russo?
Tiago Russo (RS) – É o que poderei chamar de uma pessoa perfeitamente comum, que naturalmente se tornou num Designer, ambicioso, que procura ganhar o seu espaço, mostrar o seu valor e assim ir construindo o seu presente e o seu futuro. Considero-me uma pessoa extremamente atenta a tudo o que me rodeia, não acredito que enquanto Designers nos tenhamos de cingir a apreciar ou estudar uma área apenas, muito pelo contrário. Faz parte desta profissão ter um conhecimento quase que holístico do mundo, das pessoas, de tudo o que o integra e de tudo aquilo que pode ser melhorado. Como tal, acredito ser um Designer extremamente técnico, perfecionista em tudo o que faço, sempre com o intuito de levar qualquer problemática até à mais definida das soluções.

LXD – Quando decidiu enveredar pelo mundo do design?
RS – Não existe propriamente um dia em que tenha acordado e decidido enveredar pelo mundo do Design. Para mim, esta foi desde sempre uma questão à qual nunca precisei de responder, foi um gosto, uma paixão, que desde muito pequeno se foi desenvolvendo comigo, desde os meus primeiros passos, literalmente. Não tendo em termos profissionais absolutamente nada a ver com o Design, o meu pai sempre se revelou um aficionado pelo automobilismo e pelo Design Automóvel, e acredito que essa paixão foi-me diretamente transmitida e por consequência, absorvida, tornando-a também minha, desenvolvendo-a até se tornar parte da minha pessoa, parte do meu pensamento. Por isso, nunca houve, nem na escola, nem aquando da entrada para a faculdade, um ponto de viragem para o Design, ele sempre existiu, e sempre tive consciência que esta seria a “minha” área.

LXD – Quando tinha 6 anos de idade o que gostava de ser quando fosse grande? Designer?
RS –Mais do que Designer, e devido às respetivas influências, com 6 anos queria mesmo era ser um Designer Automóvel. Recordo-me vagamente de desenhar “conscientemente” com 3, 4 anos, e pelos meus 6 anos de idade passava os dias a desenhar automóveis, a criar novos modelos, novas peças, e esse era (e cá “no fundo” ainda é) o meu sonho: tornar-me num Designer Automóvel, com uma marca em que pudesse criar e projetar os meus próprios modelos. Só mais tarde, e ganhando um maior conhecimento do mundo, e das dificuldades de entrar nessa vertente (principalmente em Portugal) é que começaria quase que de um modo natural a toldar o meu pensamento para um Design cada vez mais industrial, de equipamentos e produtos.

LXD – Qual a sua formação?
RS – Todo o meu ensino básico e secundário foi realizado em Setúbal, a minha terra natal, e respetivamente na área de artes. Somente o meu percurso académico seria feito em Lisboa, na Faculdade de Belas-Artes, tendo aí acedido à Licenciatura em Design de Equipamento e logo de seguida ao Mestrado em Design de Produto, o qual concluí em Maio de 2013, com uma tese que incidiu sobre a problemática do Design Automóvel em Portugal.

LXD – Como define a sua carreira enquanto Designer? Identifique um projecto que o tenha marcado.
RS – A minha carreira “profissional” só mais recentemente começou a sua ligação direta com o Design de Produto propriamente dito. Ainda na minha adolescência comecei a efetuar alguns trabalhos na área da fotografia, o que me deu algumas importantes bases – e acima de tudo um gosto – pelo Design de Iluminação. Já durante o meu mestrado, e com base em variados conhecimentos de Design de Produto muito focados também para as novas tecnologias, viria a ser convidado para integrar um órgão noticioso nacional, desempenhando a função de analista de Design de produtos tecnológicos, conseguindo assim vários artigos publicados.
Contudo, seria já após a conclusão do meu mestrado que seria convidado a integrar a equipa da artista plástica Joana Vasconcelos enquanto Designer de Produto, tendo sido encarregue de desenvolver algumas soluções de merchandising pela altura das exposições do palácio da Ajuda e da Bienal de Veneza. E embora este tenha sido o primeiro e próspero contacto com o Design de Produto propriamente dito, talvez o mais marcante, para mim, seria o projeto de duas bicicletas elétricas que desenvolvi com alguns colegas no meu primeiro ano de mestrado. Embora este fosse um projeto cuja empresa nunca chegaria a prototipar, foi de longe o maior desafio com que já me deparei até hoje em termos de produto, em que durante meses foi necessário desenvolver um projeto verdadeiramente global, resultando num produto extremamente técnico levado à exaustão, conseguindo-se dois veículos pensados completamente em prol do design, centrados no utilizador e no seu conforto, procurando recriar todo o conceito de bicicleta. Esse será, sem dúvida, o projeto que mais me marcou até hoje.

LXD – Como surgiu a sua participação no Concurso de Design do Lisboa Design Show – Home Sweet Home by Siemens?
RS – A minha participação neste concurso surge com o intuito de integrar definitivamente o Design nacional, tentando aqui conseguir mostrar o meu trabalho naquela que é talvez a mais importante montra nacional da atualidade. Com a finalização do mestrado, sabia que o passo seguinte seria entrar no mercado de trabalho, e como tal, senti que esta seria a oportunidade ideal para isso, podendo entrar em contacto direto não só com empresas como também com todo o emergente mundo do Design.

LXD – Como teve conhecimento do concurso Home Sweet Home by Siemens?
Curiosamente, a primeira pessoa a falar-me acerca deste concurso foi a minha companheira, a designer Kátia Martins, também ela uma Designer de Equipamento. Eu já tinha participado em alguns concursos do género ao longo dos anos, mas nunca em Portugal me tinha iniciado em nada com a magnitude desta iniciativa, e agora, com todo o meu processo académico terminado, decidi arriscar.

Qual é o grande objectivo da sua participação no Home Sweet Home by Siemens? Ganhar o 1º premio?
Sempre que alguém entra num concurso deste género, o objetivo máximo recai na vitória final, claro, e eu não sou excepção. Poder ser premiado num concurso com tão ilustres empresas como é o caso é verdadeiramente uma ambição saudável, que poderá trazer frutos para, quem sabe, o futuro desenvolvimento de uma carreira em Design.

Considera que este concurso, Home Sweet Home by Siemens é importante para os designers portugueses? Porquê?
Por um lado, será obrigatório e algo óbvio dizer que, para quem ganhar este concurso, claro que será da máxima importância, uma vez que se poderá ver o nome dos vencedores associado ao de muito boas empresas da área. No entanto, e mesmo para aqueles que não ganharem, este revela-se um concurso de verdadeira importância no panorama nacional, uma vez que se poderão aqui ver as reais capacidades dos emergentes designers nacionais, assim como as suas visões e projetos para o desenvolvimento do Design de Equipamento no nosso país.

É o 1º ano que está participar, apesar que esta ser a 3ª edição?
Sim, esta é para mim a primeira vez que participo neste concurso, e tal razão prende-se com o facto de ter concluído num passado recente o meu mestrado, uma vez que encaro cada desafio com total dedicação e empenho, passo a passo, etapa a etapa. Embora tenha participado em alguns concursos de Design, ainda aquando da minha licenciatura, senti que nem o empenho estaria totalmente focado na vertente académica, nem o tempo para me dedicar a uma solução de qualidade para um concurso seria o melhor. Como tal, decidi realizar todo o mestrado de seguida, dedicando-me na íntegra a tal relevante parte da minha formação integralmente durante dois anos, e agora sim, passar à derradeira fase de mostrar o meu valor, tentando assim ver abrir uma porta no mercado de trabalho.

Qual é o seu ponto de vista desta iniciativa e da organização de um evento de design, neste caso o Lisboa Design Show?
Iniciativas como esta são irrefutavelmente da maior importância para o Design Português, para o seu reconhecimento, valorização e proliferação. Enquanto designer, adoraria ver que exposições assim proliferassem pelo nosso país fora, não só culturalmente se poderia conhecer mais e melhor o nosso Design, como também a indústria poderia ganhar uma nova visão de potencial aposta nesta área, que tanto tem a dar e a transmitir. O Design Português só tem a ganhar com iniciativas como esta.

Porque escolheu responder a determinado briefing em detrimento de outros?
A minha escolha em relação ao briefing do concurso recaiu simplesmente nas áreas em que mais me sentia à vontade, e uma vez que eram tantas as possibilidades, decidi optar por uma abordagem em que os meus conhecimentos pudessem ser utilizados para melhor extrair um projeto de qualidade e derradeira inovação. E nesse sentido, uma prévia colaboração em 2011 com a Vista Alegre Atlantis deu-me um know-how e um conhecimento de produto em porcelana que senti que poderia e deveria desenvolver para uma proposta verdadeiramente inovadora e diferenciadora de mercado neste concurso.

O que mudaria no nosso país para aumentar a expressão do design nacional?
Mais do que mudar algo dentro do Design, em Portugal, é necessário mudar todo um conceito cultural. Esta é verdadeiramente uma questão de cultura, e infelizmente o nosso país ainda conta com uma muito escassa cultura de Design. Tirando uma ou outra exposições em prol do Design no início da década de 70, e o prémio anual jovens designers mais próximo do final do século, as gerações passadas, na perspetiva do comum cidadão, nunca assimilaram por assim dizer o que é verdadeiramente o Design e qual a sua importância. Por conseguinte, e já num passado muito recente, vimos a palavra “Design” espalhar-se por esse mundo fora quase que de um modo viral. A parte negativa é que o derradeiro significado de Design perdeu-se algures pelo caminho: hoje tudo “é” Design, tudo “tem” Design. Em vez de um conceito, uma disciplina, esta é uma área cujo nome se começou perigosamente a tornar num mero adjetivo para que as empresas coloquem lucro acrescentado nos seus produtos ou serviços. O termo Design virou moda, não só no nosso país, tal como anteriormente tinha sido o termo sustentabilidade, entre outros. Por isso, não devemos pensar neste momento numa alteração ao conceito de Design, porque ele existe, e de um modo correto, a única coisa que devemos centrar os nossos esforços é numa alteração cultural, para que as grandes massas no nosso país percebam aquilo que é o Design, em vez de sermos bombardeados com anúncios de emprego de “Designers de unhas”, ou Hotéis Design, em que o que têm de diferente dos restantes é um avassalador conjunto de mobiliário do IKEA com ar contemporâneo.

Qual é o seu “ídolo” no mundo do design? Nacional e Internacional, porquê?
Nunca fui pessoa de eleger ídolos, nem no Design, nem noutra área artística qualquer. Em geral, aprecio várias obras de vários autores, e no Design isso não é exceção. Gosto de muitas peças de muitos designers, alguns identifico-me mais, outros menos, mas muitas vezes não é por isso que deixo de dar o devido valor às suas peças. Contudo, e tendo que eleger um nome, e começando pelo nacional, terei de incidir no Designer Pedro Silva Dias, não só por todos os seus projetos expostos e premiados, mas principalmente por se enquadrar em várias décadas e gerações até à atualidade do Design nacional. O seu trabalho tem um cunho muito técnico que eu aprecio indubitavelmente, mas acima de tudo, mostra aquilo que é a evolução do conceito de Design português desde a década de 90 até à atualidade, sempre com caráter evolutivo que torna a sua obra como um importante espelho daquilo que é o Design português.
Já em termos internacionais, e embora aprecie vivamente a obra de variados designers, maioritariamente europeus e japoneses, a minha escolha neste campo recai no recentemente falecido designer Sergio Pininfarina. Acredito que o seu contributo fez com que em alguns casos, se traçassem as premissas para chegarmos àquilo que é hoje o real valor e sentido do Design, baseado muitas vezes em detalhes técnicos que vão muito além do mero embelezamento, como tantas vezes o trabalho do designer é erradamente visto.

 Se tiver que impressionar, para ser contratado pelo melhor gabinete de design de equipamento do mundo, o do seu ídolo, em duas frases o que escrevia?
Não tendo até ao momento enormes provas dadas ou reconhecidas a um nível global que me façam valer pelo meu nome enquanto designer, poderia simplesmente escrever a tal gabinete que sou uma pessoa ambiciosa, trabalhadora, e que o Design faz parte de mim e dos meus valores, que respetivamente transporto para cada projeto, para cada peça, exigindo sempre mais e melhor de mim.

Considera que os portugueses são criativos?
Os portugueses são um povo curioso no que diz respeito à criatividade. Regra geral, somos desenrascados, mais do que criativos, embora os dois conceitos se misturem muitas vezes. Criativos, somos, mas nem sempre, e adaptando uma expressão tipicamente portuguesa: “tem dias…” A época em que vivemos, com as consagradas crises já levadas à exaustão permitem ver no nosso povo o seu derradeiro potencial criativo. E ele existe, sim, sem dúvida. E esta será precisamente a melhor altura para analisarmos isso mesmo. Nunca como agora se viram tantas iniciativas díspares, completamente inovadoras, mais, ou menos utópicas, mas que em todas elas se garante um cunho tremendo de criatividade que poderá impulsionar verdadeiramente o nosso país e o nosso Design daqui para a frente. A única questão que se coloca é se tal criatividade e inovação vai continuar para o futuro ou se é simplesmente o reflexo do atual momento que o nosso país atravessa.

Há horas do dia que fomentem a criatividade?
Na minha opinião, e ao que a mim diz respeito, sem dúvida. O método de trabalho de cada designer é diferente, e cada um se sentirá mais “inspirado” com diferentes fatores e/ou eventos. No meu caso, a música serve como um tónico diário. Trabalho sempre a ouvir música, e consoante o projeto vou alterando a minha banda sonora. Em relação às diferentes alturas do dia, eu gosto imenso de começar a trabalhar logo pela manhã, cedo, em termos criativos é quando me sinto mais à vontade, e se começar bem cedo com algum ímpeto, sei que vou estar a trabalhar durante todo o dia sem sentir qualquer necessidade de descansar.

Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
Eu creio que um designer só o é quando vive precisamente com esse espírito criativo e de transformar tudo aquilo que está à nossa volta. É esse olhar para além da superfície, para além do óbvio, do produto final, que está na base do próprio conceito de designer. Isso é precisamente aquilo que nos distingue do comum utilizador. A nossa visão, a nossa mente, procura ver em cada peça, todos os pormenores, todos os detalhes, sempre com o intuído de melhorar o que já existe, de inovar, de encontrar melhores soluções, a fim de fazer chegar ao consumidor um produto sempre melhor que o anterior.

O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
Deveria fazer parte, quer das prioridades dos portugueses quer de outra nação qualquer, mas infelizmente o Design ainda não é algo decisivo e interpretado como de maior importância no nosso país. Ainda para mais, quando falamos de um país que se encontra numa situação em que as empresas cada vez mais têm de encontrar soluções inovadoras para subsistirem e se demarcarem, com uma civilização cada vez mais envelhecida e com menor poder de compra, que indubitavelmente tem hoje necessidades diferentes de há 10 ou 15 anos atrás. É urgente que a sociedade se aperceba do potencial do Design, e o torne numa autêntica prioridade, nas suas mais variadas vertentes, para que assim possamos verdadeiramente almejar uma evolução não só do Design propriamente dito, como também de toda a população e por conseguinte, do nosso país.

Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
Na minha opinião, o Design em Portugal conta com os seus polos invertidos em relação a alguns dos países em que o Design (nomeadamente o de equipamento) se encontra mais desenvolvido. A nossa área da saúde, bem como a indústria em geral são, de um modo algo alarmante, os setores em que se nota uma maior ausência de Design. São ainda muito poucas as indústrias portuguesas que apostam no Design e na contratação de designers, e mesmo com um crescimento nesse sentido nos últimos 5 anos, o total de empresas que dão valor ao Design de Equipamento no nosso país peca largamente por escassez. Atualmente, o Design, que com todas as disciplinas e ponderações a si inerentes, se mostra como a disciplina mais concreta no sentido de melhorar a qualidade de vida da população, encontra-se completamente alienado de uma área tão critica no nosso país como é o caso da saúde. A título de exemplo, a última vez que se verificaram verdadeiros investimentos de equipamentos hospitalares com uma total incidência no Design português foi há mais de meio século. Acredito que já está mais do que na hora de se acabar com esta tendência e investir numa área que tem todas as capacidades para desempenhar um papel crucial no futuro da nossa nação, até mesmo ao mais elevado nível económico.
Contrariamente à vertente do Design de Equipamento, o Design Gráfico parece ser neste momento aquele que maior destaque consegue lograr junto das empresas, nomeadamente nos meios de comunicação social e com recurso a cada vez mais nomes de relevo, principalmente, na área da publicidade. Nos últimos anos, têm sido cada vez mais os designers e os projetos de Design Gráfico a serem reconhecidos e galardoados, não só no nosso país como também lá fora, o que tem vindo a trazer um futuro algo auspicioso para algumas marcas, elevando assim também o nome de Portugal no estrangeiro.

A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso aponta?
Sim, a exportação do Design é uma realidade no nosso país, e em muitos casos, a razão primária de subsistência de muitas empresas. Uma vez mais, isso deriva de uma questão cultural, e que pende muito no facto dos portugueses tradicionalmente não darem valor ao produto próprio. O que é estrangeiro é melhor, ou os portugueses “lá fora” é que têm valor, são duas tendências que há muito deveriam ter acabado no nosso país. Temos ótimas empresas, profissionais com muita qualidade, e capacidade para estar lado a lado com os melhores por esse mundo fora. E o caso disso mesmo é o sucesso que muitos designers portugueses conseguem no estrangeiro. É um paradigma curioso, este. Se somos bem vistos fora de Portugal, e mostramos ter enorme qualidade, não será interessante pensar que talvez também a tenhamos por cá, mas simplesmente ninguém valoriza isso?
Claro que cada vez mais são as histórias de sucesso inerentes à emigração, nem culturalmente poderia ser de outra forma. Por razões como esta é que temos também cada vez mais empresas bem portuguesas a adotar nomes estrangeiros: a primeira razão poderá ser para conquistar o mercado internacional, certo, como são os casos de enorme sucesso da Wewood ou da Delightfull, com mais provas dadas no estrangeiro do que em Portugal. Contudo, numa segunda análise, tal fator poderá também prender-se com o referido facto de termos a incessante tendência de ver qualidade simplesmente no que é estrangeiro, e como tal, muitas marcas e empresas acabam por optar uma fachada “estrangeira”, e o consumidor acaba por pensar que está a comprar produtos estrangeiros, supostamente de marcas melhores que as nossas, quando ironicamente estão a comprar produto 100% nacional. A área do calçado e vestuário começou por ser exemplo disso mesmo, e cada vez mais o Design de Equipamento sofre de idênticas premissas para vingar no nosso país.

Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para si, o melhor exemplo de design português?
Com variados designers e marcas emergentes no panorama nacional de Design, é verdadeiramente difícil apresentar um como o derradeiro exemplo de Design de Equipamento da atualidade. Contudo, e encontrando um certo equilíbrio entre conceito, projeto, concretização, foco no utilizador, e transparência de uma certa imagem nacional, terei de escolher o trabalho desenvolvido e apresentado pela marca Branca Lisboa, do designer Marco Sousa Santos, como um dos maiores exemplos de Design português dos dias de hoje, uma vez que esta é uma marca que para além de apresentar produtos com uma formalidade muito adaptada aos dias de hoje, conjuga interessantes funcionalidades a um respeito e a uma certa valorização pela linguagem formal portuguesa, mantendo sempre um cunho algo nacional nos seus produtos sem cair no artesanato ou no demasiadamente óbvio.

Curiosidades sobre Tiago Russo

Género musical preferido – Hard Rock / Metal
Género literário preferido – Thriller, Suspense… Algo que consiga mexer psicologicamente com o leitor.
Autor preferido – Stephen King
Realizador preferido – Clint Eastwood
Filme preferido – Se7en
Livro de cabeceira – Duma Key – Stephen King
Um álbum que o tenha marcado – The Wall – Pink Floyd
Um livro que o tenha marcado – Sports Cars, de Craig Cheetham: foi o primeiro livro a dar-me uma perspetiva mais abrangente daquilo que seria o Design Automóvel mundial.
Um filme que o tenha marcado – Millenium 1: The Girl With The Dragon Tattoo
Nas férias: praia ou campo? Praia, mas sem ser um destino demasiadamente calmo e paradisíaco.
Um destino de férias (nacional ou internacional) – Itália
Pratica alguma atividade física? Apenas uma corrida matinal no parque
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? Serra da Arrábida
Qual a sua cor favorita? Roxo
Qual o seu fruto favorito? Cerejas
Divisão da casa favorita? O escritório, onde tenho o meu material de trabalho, computador, televisão, biblioteca, etc.
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? Obrigatoriamente, no escritório.
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? Se estiver a trabalhar sozinho, regra geral, em casa, uma vez que toda a dinâmica de trabalho se torna mais eficiente: o meu computador, os ratos e teclados a que estou habituado, etc. Contudo, por vezes torna-se monótono, e a azáfama do dia-a-dia de trabalho (fora de casa) acaba por fazer com que o tempo passe de um modo muito menos estagnado, e verdade seja dita, dá-nos outra energia e outra “vida”.
Prato preferido da gastronomia nacional – Bacalhau à Brás
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Morgadinhos de Amêndoa
Água, vinho ou cerveja? Água
Tem algum animal de estimação? Como se chama? Tenho uma tartaruga há 20 anos. Chama-se Rafael.