SYLVIE – SYO

Vencedora do passatempo Next Promisse DESIGN 2013

SYLVIE – SYO

Lisboa Design Show (LXD) – Quando decidiu enveredar pelo mundo do design?
SYLVIE CASTRO (SC) – O design seduziu-me no secundário, quando estava a frequentar 10º ano em Artes Visuais.

LXD – Quando tinha 6 anos de idade o que gostava de ser quando fosse grande? Designer?
SC- A minha mãe conta que com 3 anos ficava em frente da TV a desenhar as séries de desenhos animados. Com 6 anos ainda não sabia o que era o design mas sabia que o desenho ia fazer parte da minha vida.

LXD – Qual a sua formação?
SC- Sou licenciada em Design de Equipamento e estou a concluir a tese de Mestrado em Ensino das Artes Visuais.

LXD – Na sua recente carreira, com grande sucesso, tem tido os apoios necessários para avançar com o seu projecto?
SC – Se falarmos de apoio humano, nem tenho palavras para o descrever; desde amigos, conhecidos a familiares tenho recebido um carinho e admiração que não tem preço. Quanto ao apoio monetário, tenho um marido que acredita muito no potencial da marca e no meu trabalho (é uma espécie de investidor privado).

LXD – Como surgiu a marca SYO?
SC – SYO surge numa fase menos boa, desempregada e sem esperança de continuar ligada ao ensino das artes visuais. “Bati o punho”, como diz o Miguel Gonçalves da Spark, que me tem dado apoio desde a fase inicial do projeto, e disse “Basta” vou criar a minha marca e dar asas aos meus sonhos. As vezes é preciso chegar aos extremos para reunir a coragem de enveredar por um caminho que há anos ambicionava!

LXD – Qual a importância do LXD para SYO?
SC- LXD representa o que sempre quis, mostrar o meu trabalho num espaço de excelência, que reúne os melhores jovens designers portugueses. A SYO vai conseguir, através da LXD, mostrar-se num ambiente que respira design.
LXD representa a minha primeira “mostra” em território português. Sinto um orgulho imenso por poder levar o meu trabalho para a capital, em concreto para a Fil onde estarei rodeada de outras marcas e designers que tanto admiro… é sem dúvida um privilégio.

LXD – Como vê a iniciativa dos NP DESIGNERS promovida pelo LXD?
SC – Vejo como uma oportunidade única e imperdível, eu tinha mesmo de vencer esta iniciativa! Oportunidades como esta não se perdem nem a feijões.

LXD – Como se sente por ser considerada uma “NP DESIGNER” eleita pela comunidade de fãs LXD?
SC – Sinto-me abençoada por Deus e muito agradecida a todas as pessoas que reconheceram o meu trabalho tendo em conta a qualidade dos projetos apresentados pelos meus colegas designers É uma distinção que me deu uma grande felicidade e mais alento para continuar.

LXD – Os Jovens designers têm “Palco” em Portugal?
SC – Têm, se estiverem dispostos a criar o seu próprio “palco” a lutarem por ele com convicção e a estarem dispostos a fazerem inúmeros sacrifícios.

LXD – A sua participação no LXD vai surpreender quem nos visitar?
SC – Estou a trabalhar nesse sentido e espero verdadeiramente consegui-lo. Ambiciono, através do meu espaço no LXD, comunicar o que de melhor se faz em Portugal dando a conhecer o trabalho de artesãos valorosos e mostrando produtos totalmente manuais.

LXD – Quer avançar com alguma novidade ou vamos esperar pela surpresa no evento?
SC – Posso dizer que está neste momento a ser criada uma peça de mobiliário que tem raízes no nosso património e, se tudo correr bem, será mostrada ao mundo neste evento!

LXD – Várias figuras publicas usam as suas jóias. Quer explicarmos como se desenvolveu todo esse processo e quer falarmos dessas personalidades?
SC – No início tudo parecia que não iria passar de um sonho, depois a pouco e pouco as oportunidades foram surgindo e eu agarrei-as com unhas e dentes.
Há um detalhe muito importante, eu escrevo às figuras públicas, falo dos meus sonhos e dos meus projetos, ou seja, atrevo-me! Escolho pessoas que admiro pelos seus princípios e pelo afeto que demostram pelas tradições portuguesas. Foi assim que aconteceu com a fadista Carminho e com o apresentador Manuel Luís Goucha. Neste momento, outros nomes do fado e da televisão conhecem o meu trabalho, aguardem pelas novidades.

LXD – É fácil para uma jovem designer ganhar proximidade junto dos media e das figuras publicas?
SC – Não é fácil, mas também não é impossível! E como eu acredito que vou conseguir, corro atrás. Acho que é muito importante a imagem que deixamos às pessoas, ser genuína e falar das minhas criações como se fala de um filho que amamos é o segredo. O resto é deixarmos que o trabalho fale por si.

LXD – Quer falar-nos como conseguiu rapidamente estar em vários programas de televisão?
SC – Em televisão acontece magia, é muito giro! Um programa descobre o meu trabalho e logo a seguir surgem imensos convites. É engraçado porque as notícias espalham-se rapidamente. A minha estreia foi no canal +TVI no programa “Tu Cá, Tu Lá” de Manuel Luís Goucha, onde fui tratada de uma forma que me deixou abismada pois a própria entrevista já me dava a conhecer como uma profissional consagrada. Jamais esquecerei esta primeira experiência em Televisão.

LXD – Que mensagem deixa para os jovens designers que ambicionam criar a sua marca?
SC – Aos jovens designers que querem realmente criar a sua marca e estão conscientes do caminho árduo a percorrer digo apenas “ façam-no!”
Mas não se iludam pois o retorno leva tempo e os sacrifícios são ilimitados contudo se estiverem mentalizados disto não olhem para trás e avancem com toda a garra. Garanto-vos que vale a pena.

LXD – Pode a conjuntura económica global influenciar as tendências do design?
SC – Pode, por isso é muito importante ter um segmento de mercado bem direcionado. É fundamental saber para que tipo de consumidor final se destina o produto.

LXD – O optimismo é uma ‘arma’ no design?
SC- Sem dúvida que é, mas não chega… optimismo e perseverança – duas armas poderosas.

LXD – Considera que os portugueses são criativos?
SC- Muito, considero os portugueses criativos e engenhosos. Temos muito talento em Portugal, que é preciso ser reconhecido e divulgado . Mas felizmente existem fronteiras e para lá delas reconhecem e premeiam o nosso trabalho!

LXD – Há horas do dia que fomentem a criatividade?
SC – Sim, eu não diria horas, diria momentos de picos de criatividade. Pode acontecer durante a noite, quando uma imagem não me sai do pensamento, mas também durante o dia. Acontecem sempre durante ou pouco depois de uma experiência marcante: Uma viagem repleta de História e cultura (que são as minhas favoritas), mas também um momento rico em plena natureza.
Entrar num monumento, em particular numa igreja gótica ou barroca, preenche todos os meus níveis de criatividade! Nesse aspeto sou uma sortuda: a minha cidade, Braga, respira Barroco, já a minha freguesia, Amares, (próxima do Gerês), transborda natureza.

LXD – Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
SC – Sim, é verdade. É impressionante a quantidade de vezes que, por exemplo olho para as abóbodas de uma catedral e só vejo um colar preenchido a filigrana nas mais diversas formas. A propósito disto deixo aqui um conselho deixo um conselho, não saiam de casa sem um bloco de desenho, onde se possa reter as impressões do dia e até dos sentimentos que vamos experienciando. Pode levar um ou mais anos, mas chegará o dia em que olharemos para essas impressões e delas surge uma forma.

LXD – O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
SC – Infelizmente acho que não ainda que considere que temos vindo a evoluir lentamente nessa matéria. Mais do que a situação económica está em causa a falta de hábitos culturais e artísticos de uma parte ainda muito significativa da população portuguesa. O facto de não se educar para a arte e pela arte tem os seus reflexos negativos. Grande parte da nossa sociedade não desenvolveu sensibilidade para reconhecer o trabalho de um designer ou artista. Citando o pintor Luís Coquenão, “Experienciar vai ajudar a compreender quem faz” ou seja, se proporcionarmos desde cedo uma educação que envolva um leque de atividades artísticas, no futuro teremos uma sociedade com mais sentido critico e estético, bem como com mais abertura à novidade.

LXD – Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
SC- Na minha opinião os que apostam mais no design são os setores relacionados com as novas tecnologias e novos materiais, enquanto que os que apostam menos são precisamente o setor tradicional. É nesta área que estou inserida tentando aliar o design e a contemporaneidade às ricas tradições e revalorizando o trabalho artesanal. Os artesãos têm imensas qualidades, o seu saber fazer é inigualável, porém muitas vezes denota-se uma certa falta de abertura e uma dificuldade de comunicação com novos conceitos. Quando o trabalho artesanal é aliado ao design, a obra ganha nova dimensão e adquire outro potencial.

LXD – A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso aponta?
SC – Como exemplos de sucesso temos a Boca do Lobo, Renova, ColorADD, FLY London, Malabar, Wewood, Bat Eye, Revigrés, Cifial, Guava … poderíamos elaborar uma lista simpática.

LXD – Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para si, o melhor exemplo de design português?
SC – Essa pergunta é difícil de responder porque atualmente temos, felizmente, alguns exemplos de excelência de design Português em várias áreas, mas confesso que fico rendida à Boca do Lobo. Foi um projeto que vi nascer bem de perto, ainda era muito jovem e estava a fazer estágio no CPD em Lisboa, olhava para o nascimento da marca com um pensamento “quando crescer também quero ser assim”…

Curiosidades sobre Sylvie Castro

Género musical preferido: Fado, música Clássica e Pop Rock
Género literário preferido: Por estar a concluir a minha tese de Mestrado no âmbito das relações pedagógicas entre a música e as artes visuais, ultimamente tenho preferido os livros de filosofia e de autores psicólogos e neurologistas
Autor preferido: Adoro Fernando Pessoa
Realizador preferido: Não resisto a cinema! Tim Burton, Ridley Scott, Martin Scorsese e Mel Gibson
Filme preferido: Essa pergunta só pode ser respondida no plural: Gladiador, Apocalipto, O último Samurai e Paixão de Cristo.
Livro de cabeceira: A Bíblia.
Um álbum que o tenha marcado: Laura Pausini – Strani Amori
Um livro que o tenha marcado: Os Lusíadas
Um filme que o tenha marcado: Apocalipto
Nas férias: praia ou campo? Campo
Um destino de férias (nacional ou internacional): Egito ou Coimbra
Pratica alguma actividade física? Quando posso, adoro libertar energia com Body Combat
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? Gerês, perto de minha casa.
Qual a sua cor favorita? Verde e rosa choque.
Qual o seu fruto favorito? Framboesas e avelas.
Divisão da casa favorita? Cozinha “open space”
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? Sala de estar
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? Fora…
Prato preferido da gastronomia nacional: Ummm…arroz de cabidela da minha mãe
Sobremesa preferida da gastronomia nacional: Almendrados
Água, vinho ou cerveja? Vinho tinto do Douro, ou Rosé
Tem algum animal de estimação? Como se chama? Sim, a minha cadela Siza.