Rui Vasco

Designer Luso-Mexicano

Rui Vasco - designer luso mexicano

“…Os seres humanos são inventores por natureza, e o design sempre tem sido utilizado para resolver os problemas do nosso meio…”

LXD – Existe alguma influência Portuguesa no trabalho que desenvolve, sendo um Luso-Mexicano?
Rui Vasco (RV) – Sem dúvida. Ser fortemente influenciado pelas duas culturas é uma característica importante da minha personalidade, e nesta profissão é fundamental ter um panorama ou visão global para poder comunicar a essência de um objecto em diferentes contextos.

LXD – Como define o seu trabalho?
RV – Objectos elaborados manualmente desde uma postura pós-modernista.

LXD – É influenciado por alguma “geração” de designers? SIM , qual?
RV – Sim, Bauhaus.

LXD – Se tivesse que escolher um designer internacional, qual o que elegia como o seu “ídolo”, “mentor”? e Porquê?
RV – Estou convencido de que devemos de aprender alguma coisa de cada pessoa, e não me posso limitar a escolher um. Admiro a sofisticação de Jean Prouvé, a versatilidade de Jasper Morrison, a imaginação conceitual de Fernando e Humberto Campana, a extravagância de Karim Rashid, a simplicidade de Alvar Aalto, etc.

LXD – Segue com regularidade o trabalho de algum designer?
RV – De muitos, ultimamente de Benjamin Hubert.

LXD – Como se actualiza no mundo do design?
RV – Principalmente através de newsletters, quantas mais melhor. Behance, Cool Hunter, Design Boom, The Contemporist, Fubiz, The Serve, Crane.tv, Coroflot, etc.

LXD – Qual a sua “fonte” de inspiração? Se é que tem uma fonte?
RV – É-me difícil compreender as pessoas que não encontrem alguma coisa nova e interessante no transcurso de qualquer dia. Absolutamente tudo pode ser fonte de inspiração se tivermos uma mente aberta e ágil.

LXD – Considera que o design é uma disciplina ou uma moda?
RV – Os seres humanos são inventores por natureza, e o design sempre tem sido utilizado para resolver os problemas do nosso meio. Actualmente existem muitas ramificações, e algumas delas surgem a partir de situações temporais que resultam serem modas ou tendências.

LXD – O optimismo é uma ‘arma’ no design?
RV – Creio que é uma qualidade indispensável no design. Com frequência equivocamo-nos várias vezes antes de chegar ao resultado final, pelo que manter uma atitude optimista é muito importante.

LXD – Há horas do dia que fomentem a criatividade?
RV – Eu creio que sim. Para mim é a noite, e por isso durmo sempre com um caderno e um lápis ao lado.

LXD – Quais as mais-valias do design num produto ou numa organização?
RV – O design comunica. Creio que um grande erro em que caem muitas marcas e produtos hoje em dia, é transmitir mensagens confusas. Através da história recente, podemos ver exemplos muito claros de como um bom design ressalta os valores e atributos de algum produto ou marca. É o caso da Mac com um design simples, atractivo e prático. Incluso a maior escala, como foi o caso da Itália, em que o design foi um recurso de extraordinária importância para restabelecer a sua economia e formar a identidade de um país produtor.

LXD – Conhece o design e designers portugueses?
RV – Ocasionalmente leio notícias relacionadas com o design e arquitectura portuguesa. Creio que o trabalho de Manuel Damião é um espectáculo, particularmente a Vink Chair.

LXD – Como define o design português, se é que existe alguma linha condutora que o distinga do design mexicano, italiano, francês e por aí…?
RV – Uma característica distintiva dos portugueses é que temos um profundo sentido de comunidade, derivado da nossa história cosmopolita. Na minha opinião, este sentido manifesta-se no design através a fusão de técnicas e materiais tradicionais para usos convencionais, conferindo-lhe também uma identidade nostálgica.

LXD – Considera que os portugueses são criativos?
RV – Sem dúvida. Para ser criativo é preciso ter uma mente aberta e receptiva. Portugal na actualidade tem influência de muitas culturas diferentes, desde a Africana, Asiática, Sul-americana, etc., o que lhe confere uma postura privilegiada na hora de propor soluções inovadoras.

LXD – Porque razão está a apostar no mercado Português?
RV – É um desafio pessoal. Tenho muita curiosidade de receber críticas e opiniões num lugar diferente ao que estou habituado

LXD – Visita Portugal com regularidade? Qual foi a ultima vez que esteve cá?
RV – Sim, de facto sempre passo por cá as férias de verão. A ultima vez foi em Agosto.

LXD – Qual é a imagem que tem de Portugal?
RV – A imagem que tenho, é a de um país com uma grande riqueza cultural, cheio de tradições e acolhedor.

LXD – Pensa algum dia mudar-se para Portugal?
RV – Claro, na medida em que as minhas actividades me permitam. É um pensamento que sempre tenho presente.

Algumas curiosidades sobre o Rui Vasco

Género musical preferido | Jazz/Indie Folk
Realizador preferido | Quentin Tarentino
Filme preferido | Man with the movie camera
Nas férias: praia ou campo? | Praia
Um destino de férias (nacional ou internacional) | Milão. Creio que é muito interessante a forma em que co-existem a industria, o comércio, os corporativos, o turismo e a vida nocturna.
Pratica alguma actividade física? | Futebol e ténis
Em férias, qual o destino nacional (México) que recomenda? | Rivera Maya e Chiapas
Qual a sua cor favorita? | Gosto de todas, mas se estou indeciso escolho sempre preto
Divisão da casa favorita? | A cozinha, por ser totalmente funcional
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? | A sala-de-estar, mas não gosto de estar muito tempo em casa
Prato preferido da gastronomia portuguesa e mexicana | Amêijoas à Bolhão Pato, “tacos de cichinita pibil”
Tem algum animal de estimação? Como se chama? | Não tenho