Renato Costa

Designer

Renato Costa - Designer

Natural de Trás-os-Montes, Renato Costa, designer industrial, licenciado pela Universidade da Beira Interior, ambiciona deixar a sua marca no mercado e no mundo do design.
Até entrar na universidade, o mundo design  era-lhe desconhecido, apenas pensava na arquitectura. Atirou-se de cabeça, nesta aventura do design, que considera hoje ter sido a melhor opção. Estagiou em Barcelona e de volta a Portugal, país de onde não quer sair, é um dos designers seleccionados para a final do concurso de design – Home Sweet Home by Siemens,  organizado pelo Lisboa Design Show, onde apresenta um projecto para a SPAL PORCELANAS. A área da cerâmica e porcelana é a sua paixão. E que outras paixões terá o Renato? Hummm… o melhor é continuarmos a descobrir nesta entrevista.

Quem é o Renato Costa?
Sou um júnior designer, natural de Vila real, Trás-os-Montes que, acima de tudo ambiciono deixar a marca no mercado e no mundo do Design. Neste momento tenho como objectivo, profissional e pessoal, evidenciar e dinamizar as tradições de Trás-os-Montes e Alto Douro através de uma visão mais contemporânea.
Sempre ansioso por aprender e evoluir cada vez mais, procuro constantemente novos projectos e desafios que me  motivam e o apaixonam pela profissão, na qual começo a dar os primeiros passos. Dedicado e criativo são os principais adjectivos que me caracterizam e que tenho sempre presente em  cada projecto que desenvolvo.
Sou constantemente questionado se pretendo  sair de Portugal, mas a resposta é sempre a mesma, não. Pretendo trabalhar em Portugal, ao lado das pessoas em quem mais confio e levar o nome do meu trabalho a territórios internacionais.

Quando decidiu enveredar pelo mundo do design?
Posso dizer que a minha aventura no mundo do Design foi algo inesperado e tal como referi, uma aventura.
Antes de entrar na Universidade ainda não sabia muito bem o que era o Design, até terminar o secundário apenas pensava na Arquitetura. Quando me apercebi que o Design me poderia dar uma maior diversidade de trabalhos comecei a interessar-me imediatamente por esta área, desconhecida para mim até então. Mesmo não sabendo que oportunidades reais esta área poderia trazer para o meu futuro, atirei-me de cabeça nesta aventura, o Design. Sem dúvida, foi a melhor opção!

Quando tinha 6 anos de idade o que gostava de ser quando fosse grande? Designer?
Não, tal como referi, o Design apenas entrou na minha vida bastante mais tarde. Embora ainda não tenha encontrado uma razão, os meus pais sempre me disseram que eu queria ser reformado. No entanto sempre tive uma paixão pela pintura e pelo desenho.

Qual a sua formação?
Licenciei-me em Design Industrial na Universidade da Beira Interior e estou neste momento a desenvolver a minha tese de mestrado em Design Gráfico na ESAD – Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha

Como define a sua enquanto carreira Designer? Identifique um projecto que o tenha marcado.
A minha carreira por enquanto é ainda muito recente, terminei a minha licenciatura em 2011, estagiei em Barcelona no atelier de arquitetura Archikubik, e mais recentemente estive a estagiar no atelier Pedro Gomes Design. Esta foi a experiência que mais me fez evoluir enquanto designer e onde fiz parte de grandes projectos que me marcaram e me deram muito prazer a desenvolver.

Como surgiu a sua participação no Concurso de Design do Lisboa Design Show – Home Sweet Home by Siemens?
A minha participação no concurso do Lisboa Design Show surge como uma tentativa de dar a conhecer o meu trabalho ao mercado e de me ligar a esta iniciativa que promove o Design nacional. Assim que tive conhecimento da nova edição do concurso comecei a preparar-me o melhor possível para participar com um projeto que melhor me identificasse como designer.

Como teve conhecimento do concurso Home Sweet Home by Siemens?
Tive conhecimento do concurso através das redes sociais, ferramenta que considero ter sido fulcral para a dinamização e promoção desta iniciativa e evento.

Qual é o grande objectivo da sua participação no Home Sweet Home by Siemens? Ganhar o 1º premio?
Mais que ganhar o primeiro prémio, o grande objectivo desta participação foi a oportunidade de ter um produto meu a ser desenvolvido por uma grande empresa.

Considera que este concurso, Home Sweet Home by Siemens é importante para os designers portugueses? Porquê?
Sim claro, este concurso é uma grande oportunidade para os designers em geral mas especialmente para juniores designers como eu. Concursos como o Home Sweet Home dão a oportunidade a estes designers de serem reconhecidos pelo seu trabalho, abrindo-lhes portas no mercado de trabalho.

É o 1º ano que está participar, apesar que esta ser a 3ª edição?
Sim, é a primeira vez que participo neste concurso, embora tenha acompanho sempre de perto as edições anteriores.

Qual é o seu ponto de vista desta iniciativa e da organização de um evento de design, neste caso o Lisboa Design Show?
Enquanto jovem designer a iniciar a sua carreira num mercado cada vez mais competitivo e abrangente valorizo bastante esta iniciativa. Concursos e iniciativas deste género tornam-se uma referencia na caracterização do Design nacional e do que se faz em Portugal. O Lisboa Design Show junta e promove desde grandes a pequenas marcas e empresas nacionais, é neste momento uma importante montra do talento e da criatividade nacional.

Porque escolheu responder a determinado briefing em detrimento de outros?
Escolhi o briefing da SPAL por várias razões. A cerâmica, neste caso a porcelana, é uma área que sempre me despertou algum interesse e fascínio, a oportunidade de explorar esta área não poderia ser a melhor. Esta era igualmente uma área para a qual fui preparado pela licenciatura, o ensino que tive foi muito focado nos processos de fabrico e na sua optimização, de forma a transformar o produto o mais viável possível para produção. O facto de estar envolvido neste momento com um projecto que envolve a olaria tradicional artesanal foi igualmente um ponto motivador à escolha do briefing da SPAL.

O que mudaria no nosso país para aumentar a expressão do design nacional?
Na minha opinião, enquanto jovem designer, existe uma grande lacuna no apoio e incentivo aos jovens designers recém licenciados que procuram os primeiros projetos, primeiros empregos e/ou primeiras experiências. Penso que a aposta no inicio das carreiras dos jovens designers poderia contribuir a médio-longo prazo para a expressão do Design nacional.

Qual é o seu “ídolo” no mundo do design? Nacional e Internacional, porquê?
Consultar o portfólio do atelier MAGA é a primeira coisa que faço antes de iniciar qualquer trabalho, admiro bastante o trabalho e a filosofia deles. Outro atelier que me inspira, no modo como comunica, como fundamenta e de como apresenta os seus produtos é o atelier MINIMAL, sem dúvida uma grande referência.

Se tive que impressionar, para ser contratado pelo melhor gabinete de design de equipamento do mundo, o do seu ídolo, em duas frases o que escrevia?
Se tivesse de impressionar um grande gabinete de Design de produto ou o meu ídolo, sem qualquer dúvida não escreveria, demonstraria o meu valor pelo meu trabalho e pela minha paixão e dedicação pelo Design.

Considera que os portugueses são criativos?
Sem dúvida que sim, mas infelizmente com poucas oportunidades.

Há horas do dia que fomentem a criatividade?
Para mim, é quando estou com amigos, a conviver, a conversar sobre os mais diversos temas ou a beber café que me sinto mais criativo.

Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
É algo que faço constantemente e de forma inconsciente, tenho um sentido crítico bastante activo e insaciável. É engraçado reparar que acabo por “formatar” também as pessoas com quem convivo diariamente, que o fazem também.

O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
Infelizmente não, muitas das empresas não vêem o Design como um investimento mas sim com uma despesa. Na minha opinião, o Design como prioridade dos portugueses, apesar de aparentar estar a dar os primeiros passos, é ainda visto como algo meramente estético e barato. Esta é uma questão complicada, uma vez que temos de considerar fatores sócio-económicos que estão directamente ligados à mentalidade do estilo de vida dos portugueses.

Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
Um sector que carece da presença e de aposta do Design é o sector tradicional/artesanal. Como referi antes, devido às minhas raízes, este é um sector com que me identifico e no qual estou a apostar com grande empenho. As artes mais tradicionais tendem a extinguirem-se com o tempo e entre gerações, é fulcral apostar nestas áreas. O Design pode ser uma ferramenta importante na dinamização e na revitalização deste sector.
Os sectores que têm demonstrado uma maior aposta e presença de Design são, sem dúvida os sectores das novas tecnologias e dos materiais.

A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso aponta?
Podemos encontrar alguns exemplos de marcas de sucesso com uma elevada componente de exportação, tais como a Fly London, a Silampos, a Continental, os vestuários Salsa, as máquinas fotográficas Leica, o mobiliário da Boca do Lobo, a Delightfull, por exemplo. Estes são alguns exemplos de marcas que se destacaram no mercado também devido à estratégia de Marketing e comunicação que direcionam ao consumidor.

Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para si, o melhor exemplo de design português?
Poderia referir algumas marcas que, para mim, são grandes exemplos de bom design português. Pela minha ligação e recente interesse no sector da cerâmica, tenho de referir a SPAL e a Vista Alegre como exemplo de duas marcas de excelência, com uma história e ligação ao design inigualáveis. Não me refiro apenas aos seus produtos e Know-how de mestria de se destacou ao longo dos anos de existência. A constante aposta no Design e nos designers nacionais, a aposta na inovação e na valorização do sector da cerâmica, tornam estas duas marcas concorrentes num exemplo do bom Design português.

Curiosidades sobre Renato Costa

Género musical preferido – Electrónica
Género literário preferido – thriller
Autor preferido – J. R. R. Tolkien
Realizador preferido – Christopher Nolan
Filme preferido – Senhor dos Anéis
Livro de cabeceira – Bíblia
Um álbum que o tenha marcado – Dark side of the moon
Um livro que o tenha marcado – O Principezinho
Um filme que o tenha marcado – Dark night
Nas férias: praia ou campo?  Praia
Um destino de férias (nacional ou internacional) –  Grécia
Pratica alguma actividade física? Ginásio
Em férias, qual o destino nacional que recomenda?  A minha terra, Trás os montes e Alto douro
Qual a sua cor favorita? Verde
Qual o seu fruto favorito? Melão
Divisão da casa favorita? Casa de Banho
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? Sala
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? Fora de casa
Prato preferido da gastronomia nacional – Francesinha
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Baba de Camelo
Água, vinho ou cerveja? Cerveja
Tem algum animal de estimação? Como se chama? Não