Pedro Franco | BR

Designer

Pedro Franco - Designer brasileiro

“…O design é disciplina pois sobretudo é comunicação. Independente de sua tipologia, ele precisa ser comunicado de forma a seu público-alvo entender seu uso/função/história…”

Pedro Franco designer brasileiro, é influenciado pelo Grupo Memphis e a sua grande fonte de inspiração é a cidade onde vive – São Paulo, elegendo como ídolo os Irmãos Campana.
Considera que a mais-valia do design é trazer o novo, rever o antigo, criar novos parâmetros e o grande objectivo é sem dúvida deixar o mundo mais belo, divertido ou funcional.
Para Pedro Franco Portugal é um país com cultura muito rica em função da sua história cosmopolita. Navegadores, curiosos em conquistar o mundo…
A sua aposta no mercado português é baseada na proximidade entre países, língua e o posicionado para o resto da Europa.

LISBOA DESIGN SHOW (LXD) – Existe alguma influência brasileira no trabalho que desenvolve?
PEDRO FRANCO (PF) – Sim, sempre. A minha maior fonte de inspiração é a cidade onde habito – São Paulo, que oferece uma grande overdose de informações: materiais, cores, exposições.
Posso destacar também o trabalho apresentado em 2009, denominado artesania. Através do qual elaborei uma pesquisa sobre técnicas artesanais brasileiras e criei com a cooperação dos mestres locais, conhecedores da técnica. Oriundos desta colecção temos: o Sofá Antropofago (Dreadlok seating) construído através da técnica do nozinho, e o Sofá Primavera elaborado segundo a técnica do fuxico.

LXD – Como define o seu trabalho?
PF – O meu trabalho tem forte ADN pela pesquisa de matérias-primas. Crio em função de produtos que procuro, e que tem um grande potencial. Prova disso foi um workshop feito com os Irmãos Campana em 1999; e dentro de qual criei minha Poltrona Orbital, feita de câmara-de-ar de pneu, e com a qual ganhei o Brasil Faz Design expondo pela primeira vez no salão de Milão.

LXD – É influenciado por alguma “geração” de designers? Sim, qual?
PF – Sim, gosto muito do Grupo Memphis, que quebrava paradigma e criava peças inusitadas e lúdicas.

LXD – Se tivesse que escolher um designer internacional, qual o que elegia como o seu “ídolo”, “mentor”? E Porquê?
PF – Exactamente aos Irmãos Campana, pois foram os meus grandes mestres. Havia tirado o curso de design na faculdade e não me identificava como criador de peças déjà-vu. Somente tomei gosto pelo design ao fazer workshop no Museu Brasileiro da Escultura.

LXD – Segue com regularidade o trabalho de algum designer?
PF – Não.

LXD – Como se actualiza no mundo do design?
PF – Não procuro tendências, mas sim estar informado através de feiras, eventos e publicações do sector. Contudo, a minha principal fonte de criação é a cidade onde vivo. Não crio a partir de pesquisas do que já está feito; o que na minha opinião é altamente bloqueante a um criativo. Procuro referências nas pesquisas pela cidade, sobretudo no underground.

LXD – Qual a sua “fonte” de inspiração? Se é que tem uma fonte?
PF – O local onde vivo, os materiais a que tenho acesso e aos produtores que me aportam conhecimento. Visito pequenos produtores e com cada um deles compartilho o mérito das minhas criações.

LXD – Considera que o design é uma disciplina ou uma moda?
PF – O design é disciplina pois sobretudo é comunicação. Independente de sua tipologia, ele precisa ser comunicado de forma a seu público-alvo entender seu uso/função/história. Não sigo e não acredito em modismos; mas sim na tendência, definida ao pé da letra; ou seja, uma inclinação colectiva a… como por exemplo o ecológico, ou socialmente correto. O mundo nos leva a ter estas preocupações, em função de necessidades maiores.

LXD – O optimismo é uma ‘arma’ no design?
PF – Acho que um designer não deve ser nem pessimista nem optimista. Deve vivenciar o momento e as ferramentas que possui. Em momentos pós guerra, tivemos a Arte Polvere, assim como tivemos momento de arte pós moderna.

LXD – Há horas do dia que fomentem a criatividade?
PF – A criatividade deve ser cultivada. É necessário o “ócio criativo”, tempo para pesquisa, fontes de informação das mais diversas áreas como: concertos de música, feiras de rua, exposição de esculturas de forma a criar nosso background criativo.

LXD – Quais as mais-valias do design num produto ou numa organização?
PF – Trazer o novo, rever o antigo, criar novos parâmetros. O design deve deixar o mundo mais belo, divertido ou funcional.

LXD – Conhece o design e designers portugueses? Se sim, qual? E o que mais aprecia no trabalho desse designer?
PF – Devo confessar que conheço pouco dos designers portugueses. Conheço e sou apreciador de grandes arquitectos como Eduardo Souto e Álvaro Siza. Porém acredito que decorrentes da grande cultura, deve haver grandes designers, grandes mestres de ofícios.

LXD – Como define o design Brasileiro, se é que existe alguma linha condutora que o distinga do design mexicano, italiano, francês e por aí…?
PF – Primeiramente eramos conhecidos por trabalho com a madeira; casos de Zanine Caldas e Joaquim Tenreiro. Porém surgiu uma grande evolução no período pós campana, que nos encorajou a encontrar a nossa própria identidade, a chamada brasilidade, criada com os nossos recursos e que nada tem a dever aos grandes pólos produtores. Temos a nossa identidade.

LXD – Como classifica o designer brasileiro, comparativamente ao design italiano que é conhecido internacionalmente?
PF – O designer brasileiro, é um pouco multifuncional em função da pouca cultura industrial brasileira. Desta forma é necessário criar cada objecto com base nas formas de produção a que se tem acesso e saber como o divulgar e comercializar. O designer italiano por exemplo sabe actuar de forma directa com a indústria.

LXD – O Brasil apoia a criatividade nacional internacionalmente?
PF – Não. Os designers são auto suficientes. O governo e a indústria local, em função da nossa jovialidade ainda não o entendem. Desta forma não o comunicam nem desenvolvem da maneira correcta. No entanto, em função dos últimos e prósperos anos brasileiros, a nossa população tem mais acesso à cultura, adquirindo e consumido design.

LXD – Considera que os portugueses são criativos?
PF – Sim, prova disso são os inúmeros capítulos históricos com a contribuição de Portugal. Bairros como o Chiado ou ainda o grande pavilhão de Siza para Expo 98.

LXD – Por que razão está a apostar no mercado Português?
PF – Acredito que é um país próximo e estratégico do Brasil. Culturas e língua similares, e ao mesmo tempo estrategicamente posicionado para o resto da Europa.

LXD – Conhece Portugal? Se Sim, Qual foi a ultima vez que esteve cá?
PF – Ainda não.

LXD – Qual é a imagem que tem de Portugal?
PF – Tenho a imagem de um país com cultura muito rica em função da sua história cosmopolita. Navegadores, curiosos em conquistar o mundo. Criadores de tantas técnicas como o azulejo e que investe na sua actualização como se verificou aquando da Expo 98, que deixou um grande legado de arquitectura e design.

LXD – Porque razão está a apostar no mercado Português?
RV – É um desafio pessoal. Tenho muita curiosidade de receber críticas e opiniões num lugar diferente ao que estou habituado

LXD – Visita Portugal com regularidade? Qual foi a ultima vez que esteve cá?
RV – Sim, de facto sempre passo por cá as férias de verão. A ultima vez foi em Agosto.

LXD – Qual é a imagem que tem de Portugal?
RV – A imagem que tenho, é a de um país com uma grande riqueza cultural, cheio de tradições e acolhedor.

LXD – Pensa algum dia mudar-se para Portugal?
RV – Claro, na medida em que as minhas actividades me permitam. É um pensamento que sempre tenho presente.

Algumas curiosidades sobre Pedro Franco

Género musical preferido | samba (um pouco caricato mas verdadeiro)
Filme preferido | basquiat
Nas férias: praia ou campo? | Cidade, amo o caos
Um destino de férias (nacional ou internacional) | Itália
Pratica alguma actividade física? | Sim, corrida pela manhã no meio da cidade
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? | São Paulo, onde se encontram grandes exposições, grandes restaurantes e se está a apenas 40 minutos da praia
Qual a sua cor favorita? | Amarelo
Divisão da casa favorita? | Quintal
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? | Sala
Prato preferido da gastronomia portuguesa? | Bacalhau, Pastel Santa Clara com arroz e feijão
Tem algum animal de estimação? Como se chama? | Não