Nuno Sá Leal

Presidente da Direcção da APD

Nuno Sá Leal - Presidente da Direcção APD

Ao longo do séc. XX, o Design em Portugal, na Europa e no Mundo, percorreu múltiplas etapas: desde a configuração e sistematização das suas actividades, funções, responsabilidades e consolidação do corpo de conhecimentos e métodos, até ao reconhecimento do papel fundamental que lhe cumpre desempenhar em todos os campos da vida social e económica.

Poucas são as manifestações da vida dos indivíduos e das sociedades em que o design, suas obras e intervenções estão ausentes. Se questionarmos as razões de tal facto, verificamos que as funções do design são uma necessidade, uma condição de qualidade, um imperativo de sucesso:

  • as empresas e outras organizações carecem comunicar com o mercado e/ou a sociedade, ser rentáveis, sustentáveis e diferenciar-se da concorrência;
  • os consumidores exigem produtos com bom desempenho, seguros, fáceis de usar, possuidores de uma boa interface com o utilizador e estéticos;
  • as economias têm como imperativo tornarem-se ou manterem-se competitivas e sustentáveis, aumentando o bem-estar dos indivíduos e famílias.

Os objectivos simultâneos de desenvolvimento e de sustentabilidade surgem estruturados nas estratégias dos Estados, das Organizações das empresas e são compreendidos pelas populações como imperativos presentes de que depende a qualidade de vida futura.

As Instituições da União Europeia posicionaram-se sobre o desenvolvimento sustentado no mercado Único Europeu e declararam que o motor da economia é a inovação. Em 6 de Outubro de 2010, a Comissão tornou público o documento que define a EUROPA DA INOVAÇÃO como uma pedra angular da Estratégia Europa 2020, orientada para uma economia inteligente, sustentável e inclusiva. A Comissão esclarece que o Design é um ponto forte da União Europeia, reconhece-o como um importante motor de inovação, estabelece-o como disciplina-chave e anuncia para 2011 o lançamento do European Design Leadership Board. Este, no prazo de um ano, deverá apresentar propostas que promovam e reforcem o papel do design na política de inovação europeia.

A importância reconhecida ao design resulta do que este tem vindo a oferecer como resultado das suas actividades. De acordo com os resultados do workshop em Política da Inovação “O Design como uma ferramenta para a Inovação”, promovido pela Pro INNO Europe em Outubro de 2008, afirma que, quando falamos de design, nos devemos concentrar nos objectivos e na forma de os atingir. Assim, o design é centrado no homem, é um método de resolução de problemas, é um processo de co-criação e é uma abordagem visionária.

É centrado no homem, pois transforma as invenções em inovações que vão ao encontro das necessidades, aspirações e capacidades das pessoas. Isto requer uma observação profunda e eficaz (insight) mas também a capacidade que criar experiências ao utilizador. Em consequência, os designers devem possuir empatia, compreender o pensamento e o sentir do utilizador.

O Design é um método de resolução de problemas, pois inicia a sua abordagem formulando dúvidas, progride para o pensamento multi-dimensional em/para situações complexas (sujeitas a constrangimentos) e conclui o seu processo através da síntese, para encontrar soluções holísticas.

É, também, um processo de co-criação na medida em que facilita os processos de inovação interdisciplinares e as interacções de sucesso entre a economia, as necessidades dos consumidores e a engenharia. O design ajuda a encontrar a solução adequada para os três problemas: o desejo (aspecto humano) + a viabilidade (negócio) + e a exequibilidade (tecnologia).

Por último, é uma abordagem visionária pois também consiste em imaginar e visualizar futuros e cenários possíveis para suportar as tomadas de decisão estratégicas. Historicamente, o design contribuiu para criar os standards dos negócios futuros e referências culturais. Rever os objectivos e processos das actividades de design permite identificar as várias barreiras ao seu melhor uso nas empresas que estão directamente ligadas à intangível e complexa natureza do design.

Em conclusão, o design enquanto disciplina, e os designers enquanto profissionais orientados para a criatividade, a inovação e a sustentabilidade das empresas e do ambiente, assumem-se como agentes activos e comprometidos com a evolução contínua do bem-estar do indivíduo, das sociedades e dos Estados.

As actuais exigências com que se confrontam estes profissionais, em Portugal, impõem que as suas Organizações desenvolvam esforços redobrados no sentido de estabelecerem ou acreditarem os parâmetros da qualidade da formação recebida e do trabalho realizado, promoverem a cultura do design através da sociedade e da economia, apoiarem a estruturação de condições que permitam o desenvolvimento contínuo das suas competências iniciais e ao longo da vida, e contribuírem para o seu prestígio internacional.

É perante esta realidade que podemos afirmar que, em Portugal, o design atingiu uma nova fase de maturidade e se encontra preparado para encarar a crescente competitividade entre as economias europeias e mundiais com segurança e redobrada confiança na qualidade e competência dos seus profissionais, procurando conquistar prestígio e sucesso global para o design, os designers e as empresas nacionais.

Nuno Sá Leal
Presidente da Direcção da APD

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