Lia Gonçalves

Designer de Joalharia

Lia Gonçalves - Designer de Joalharia

“…Eventos como o Lisboa Design Show, promovem o que de melhor há a nível nacional.
A qualidade do evento e a forma como se apresenta eleva os participantes ao melhor nível. Um evento que não pode cessar, os designers carecem! …”

Designer natural de Viana do Castelo e amante da memória local em ourivesaria, licencia-se em Joalharia pela ESAD. A partir de uma oportunidade de contacto com o mercado, originou a vontade em criar a sua própria marca, procurando através da forma desenvolver um trabalho minimalista, como parte da sua experiência e da constante composição de ideias.
Inspira-se no insignificante, quando o nulo ganha função e corpo. Distingue o design português pela qualidade e pormenor , seguindo  com regularidade os trabalhos das designers: Leonor Hipólito; Teresa Milheiro e Cristina Filipe.
Elege Ingmar Bergman na área da realização cinematográfica ,  adora Paris como destino internacional  mas não troca o Vinho do Porto por nenhum dos conceituados  vinhos franceses.
Considera  que a qualidade do LISBOA DESIGN SHOW e a forma como se apresenta eleva os participantes ao melhor nível. Um evento que não pode cessar, os designers carecem!

LISBOA DESIGN SHOW (LXD) – Existe alguma influência Portuguesa no trabalho que desenvolve?
LIA GONÇALVES (LG) – Numa primeira análise formal ao meu processo de trabalho posso dizer que não existe uma influência directa, mas são sempre as linhas que se cruzam na constante investigação que realizo, e estas linhas são a minha origem e a minha estrutura como elemento de uma sociedade marcada pela sua cultura e história. Começo sempre a construir as minhas jóias, pensando-as do fim. Sempre que inicio um alfinete ou um colar, parto da textura que produz e muitas das texturas são eduzidas de muitos objectos ligados a cerâmica.

LXD – Como define o seu trabalho?
LG – Considero um trabalho minimalista, mas acima de tudo defino-o como parte da minha experiência como criativa e da constante composição de ideias. São principalmente peças de formas simples, com rectângulos, círculos, esferas. Formas geométricas que através das suas texturas e composições se tornam orgânicas.

LXD – É influenciado por alguma “geração” de designers? SIM , qual?
LG – Um pouco, sim. Há profissionais na área da joalharia que sigo, como: Leonor Hipólito; Teresa Milheiro e Cristina Filipe. Designers que fizeram parte do meu ciclo académico e que de muito contribuíram para o meu crescimento enquanto estudante.

LXD – Se tivesse que escolher um designer internacional, qual o que elegia como o seu “ídolo”, “mentor”? e Porquê?
LG – Não consideraria um ídolo, prefiro citar como referência e cito mais um joalheiro, Onno Boekhoudt. Sem dúvida, o meu incitador.
Conheci este Joalheiro no meu percurso académico e fiquei interessada no seu trabalho, pela forma como conjuga vários materiais com a prata a feição como rematas as suas peças, como as assume desde o seu começo, resultando num acabamento inacabado, sugerindo a imperfeição com a “perfeição” técnica e conceptual.

LXD – Segue com regularidade o trabalho de algum designer?
LG – Sim, principalmente da designer de joias Liliana Guerreiro, juntamente com muitas novas marcas que se lançaram no mercado, tanto a nível da joalharia como de mobiliário e comunicação. Interessa-me perceber o que me rodeia e onde estou “circunscrita”.

LXD – Como se actualiza no mundo do design?
LG – Pensando o Design como uma constante evolução, pesquiso e é essencialmente esse o meu motor de propulsão criativa.
Estou constantemente atenta a artigos e outras fontes de forma a acompanhar as novidades. Contudo acompanho com regularidade uma revista de marketing, tentando perceber casos e como estes chegam a uma posição de sucesso.
Através da internet, acompanhado com intensidade o que todas as marcas e designers de jóias fazem, onde vão, da mesma forma, faço-o com marcas de mobiliário, decoração, moda, arte, etc…

LXD – Qual a sua “fonte” de inspiração? Se é que tem uma fonte?
LG – Inspiro-me no insignificante, quando o nulo ganha função e corpo. Em formas e pormenores que poderão passar despercebidos…principalmente texturas.

LXD – Considera que o design é uma disciplina ou uma moda?
LG – Vejo-o mais como uma disciplina, isto porque o design não pode falar só pela forma, mas sim pela função que exerce, falo de mobiliário, acessórios, roupa, sapatos, malas, etc…não e só a forma que está implícita.

LXD – Há horas do dia que fomentem a criatividade?
LG – Não. Penso totalmente o oposto. Para gerar criatividade é necessária a pesquisa e o trabalho continuo. Para criar não podemos esperar o momento certo. Trabalho 28 horas por dia.
As formas partem do trabalho de dias, semanas ou meses. Não posso pensar que numa manha desenho uma excelente peça, ou mesmo impor que em 3 dias tenho de elaborar uma nova coleção. A criatividade não é mais do que uma ferramenta.

LXD – Quais as mais-valias do design num produto ou numa organização?
LG – A diferenciação, a grande mais-valia. A imagem conjunta, a forma como se comunica e apresenta.
A linguagem e o desenho dessa imagem são elementos que levam a pensar cada vez mais o nosso quotidiano. Um designer tem como criativo impor uma marca, apoiando com função diferentes linhas de intervenção. Juntar forma a função justapondo os mesmos conceitos a um nível social e económico.

LXD – Como define o design português, se é que existe alguma linha condutora que o distinga do design italiano, francês, japonês e por aí…?
LG – Distingo o design português pela qualidade e pormenor. Varias marcas Portuguesas já se reconhecem pela sua qualidade e diferenciação, isto a nível global.
Contudo, na área da joalharia (e também outras áreas), os empresários nacionais julgam que é na Itália que “está o design” e que tudo o que se produz em Portugal deve ter em conta essa linguagem, confundindo na maior parte das vezes cópia com inspiração.

LXD –  Considera que os portugueses são criativos?
LG – Sim. Todas as pessoas são criativas quando exercem o seu intelecto sobre a necessidade do dia-a-dia e a sua relação com o quotidiano. Sim, os portugueses são criativos.

LXD –  Porque razão está a apostar no mercado Português?
LG – Tenho duas razoes tangentes ao meu trabalho e a esta aposta: Criatividade e matéria. Porque acredito que Portugal é um país com qualidade a diferentes níveis. Posso referir vários, como os têxteis, a joalharia, a filigrana…falta no meu ponto de vista uma abertura mental para acreditar e fundamentar uma estrutura nacional, impondo-a a nível internacional.

LXD – Participa habitualmente em eventos de design? Quais?
LG – Sim, normalmente em eventos ligados ao craft, organizados pontualmente, principalmente na cidade do Porto.

LXD – Que importância atribui a um evento como o Lisboa Design Show no mercado Português?
LG – Eventos como o Lisboa Design Show, promovem o que de melhor há a nível nacional.
A qualidade do evento e a forma como se apresenta eleva os participantes ao melhor nível. Um evento que não pode cessar, os designers carecem!

LXD – Quais são os canais de distribuição que utiliza para colocar as suas peças acessíveis ao consumidor final?
LG – Online, através de ponto de venda e de contactos pessoais/público-chave.

LXD – Como define o seu cliente?
LG – Um público principalmente ligado ao design, arquitetura, às artes e moda.

LXD – Para que países vende actualmente as suas peças?
LG – Com uma marca muito recente, ainda me encontro no mercado nacional, sustentando bases para expandir num futuro próximo.

LXD – Considera que o design Português ainda é pouco reconhecido internamente e externamente?
LG – Considero que o design português internamente é visto com estranheza. A nível externo vejo-o com excelentes perspetivas, e bem visto, como já esta a ser exemplo a área do calçado. Como em tudo “primeiro estranha-se depois entranha-se”.

LXD – O que falta ao design português, se é que falta alguma coisa, para se posicional ao nível do design Italiano, que é reconhecido internacionalmente?
LG – Apenas reconhecimento. O design português tem a qualidade suficiente para se posicionar em paralelo com o Italiano. O design português transmite e ainda é visto como a própria cultura, tradicional, ao contrário do Italiano que se reconhece como arrojado. Os limites sociais nacionais levam a este próprio fecho, como se o sistema se levasse a si mesmo a desenhar. Temos que pensar a rotura como evolução, a experiencia como inovação e a contemporaneidade como “solução”.

Algumas curiosidades sobre Lia Gonçalves

Género musical preferido | jazz/Blues
Realizador preferido | Ingmar Bergman
Filme preferido | A arca russa
Nas férias: praia ou campo? | Campo
Um destino de férias (nacional ou internacional) | Internacional, Paris.
Pratica alguma actividade física? | Atletismo, em tempos.
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? | Gerês e Açores
Qual a sua cor favorita? | Azul
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? | Sala
Prato preferido da gastronomia portuguesa? | Arroz pica no chão
Bebida preferida ? | Vinho do Porto
Tem algum animal de estimação? Como se chama? | Duas gatas com muita personalidade, Luna e Laica.