Jose Manuel Ruiz-Clavijo | ES

Designer

Jose Manuel Ruiz-Clavijo - Designer

“…O bom design e a comunicação são as principais armas (e talvez as únicas) de países como os nossos, para competir num mercado global..”


LISBOA DESIGN SHOW (LXD) –
Em que ano arrancou o ESTUDIOSAT?
JOSE MANUEL CLAVIJO (JMC) – A trajectória profissional da Estudiosat começa em 2001 com dois sócios, Diego Barrio (engenheiro industrial) em Madrid e eu em Milão. Em 2005 mudamo-nos para a Rioja (Norte de Espanha), por ser a origem das nossas famílias e vermos um potencial industrial muito importante ainda por explorar.

LXD – Existe alguma influência Espanhola no trabalho que desenvolve?
JMC – Tentamos focar o nosso trabalho no mercado europeu, visitando todas as feiras de design que podemos (Estocolmo, Colónia, Milão, Londres… agora Lisboa). É inevitável, uma forte influência da indústria nacional, já que 70% dos nossos clientes são espanhóis.

LXD – Como define o seu trabalho?
JMC – Estudiosat foi fundado por um designer industrial e um engenheiro, e desde o início, a união dessas duas disciplinas complementares tem sido a nossa marca.
Nós acreditamos na criatividade e na comunicação do produto (departamento de design), mas com a vista sempre focada na produção e industrialização (departamento de engenharia), com os meios dos nossos clientes ou dos seus fornecedores.

LXD – É influenciado por alguma “geração” de designers? Se sim, qual?
JMC – Admiramos o trabalho incrível e maravilhoso dos primeiros “designers” do século XIX e início do século XX (Arts&Craft), como desenvolveram a indústria desde cedo para dar forma às suas criações surpreendentes. Gostamos de mantê-los em mente, ainda que actualmente, no nosso trabalho, há uma inevitável influência pelo mundo digital que nos rodeia e outras disciplinas de design como as formas da moda, as linhas de automação, a cor da fotografia…

LXD – Se tivesse que escolher um designer internacional, qual o que elegia como o seu “ídolo”, “mentor”? E Porquê?
JMC – Gostamos de artistas que reinterpretaram o seu meio e foram mais longe em métodos de fabricação estabelecidos até agora… Como clássico gostamos de Raymond Loewy (desenvolvedor de “styling” no produto) e como actual Los Bouroullec revolucionaram o panorama de uma maneira sensata e responsável.

LXD – Como se actualiza no mundo do design?
JMC – Felizmente hoje em dia desde o trabalho, o sofá ou a cama podemos aceder a qualquer lugar do mundo através de sites de tendências ou informação. Mas, para nós, é muito importante “sentir” as mudanças ao vivo. Viajar, visitar, conversar, compartilhar… Costumamos dar aulas e palestras em escolas, por vezes, sentimos que somos os alunos…

LXD – Qual a sua “fonte” de inspiração? Se é que tem uma fonte.
JMC – Pensamos da mesma forma que Picasso, que disse que é importante que a inspiração chegue quando estamos a trabalhar.

LXD – Considera que o design é uma disciplina ou uma moda?
JMC – O design é uma necessidade vital no mundo da indústria, para nós e para os nossos clientes.

LXD – O optimismo é uma ‘arma’ no design?
JMC – O designer e a empresa que não está optimista, estão mortos. Deveria ser uma disciplina obrigatória nas escolas.

LXD – Há horas do dia que fomentem a criatividade?
JMC – Existem atitudes que fomentam a criatividade, mas como disse antes, tem que nos apanhar a trabalhar.

LXD – Quais as mais-valias do design num produto ou numa organização?
JMC – O bom design e a comunicação são as principais armas (e talvez as únicas) de países como os nossos, para competir num mercado global.

LXD – Como define o design espanhol, se é que existe alguma linha condutora que o distinga do design português, italiano, francês, japonês e por aí…?
JMC – Em Portugal e Espanha, a resposta é: falta-nos alguma coisa! A maioria dos produtos ibéricos estão bem desenhados e muito bem fabricados (sejam artesanais ou industriais), mas a comunicação e a exportação são uma disciplina pendente. Temos que aprender com países como a Itália ou de outros sectores tão importantes nossos países como o vinho ou o turismo.

LXD – Considera que os portugueses são criativos?
JMC – Nós latinos somos criativos por natureza, já cruzámos o oceano e conquistámos continentes sem meios, não há arte que não dominemos… Portugal é uma potência mundial em qualquer arte.

LXD – Porque razão está a apostar no mercado Português?
JMC – Os espanhóis e os portugueses sempre vivemos de costas voltadas, apesar de termos uma história parecida (América, guerras, agora crises…) acreditamos que Portugal nos pode fazer crescer e que nós podemos contribuir com a nossa energia e trabalho em Portugal.
A nível pessoal, eu vou dizer que procuro uma desculpa para me dar um tributo de Bacalhau, vinho e pastéis com todos os amigos que tenho em Portugal.

LXD – Participa habitualmente em eventos de design? Quais?
JMC – Exposição de projectos para as feiras mais importantes de design: Orgatec Colônia, Salão do Mobiliario de Milão, a bienal de design Saint Ettienne em Paris, Salão Interior Bélgica, NUDE Valência Forward. Publicação de artigos em revistas da especialidade: DDN, ON design, Designboom, Arquitectura e Design, etc.

LXD – Que importância atribui a um evento como o Lisboa Design Show no mercado Português?
JMC – Vou responder dentro de um mês…

LXD – Quais são os canais de distribuição que utiliza para colocar as suas peças acessíveis ao consumidor final?
JMC – Sempre demos grande importância à comunicação e às feiras, mas cada vez têm mais importância os media e as vendas on-line.

LXD – Como define o seu cliente?
JMC – Trabalhamos de artesãos à indústria com delegações internacionais, ao combinar design e engenharia no nosso estudo, podemos adaptar-nos a qualquer forma de trabalho, sem problemas. Os nossos clientes sabem as armas que oferecemos e em troca pedimos-lhes que acreditem, tenham energia e ilusão no nosso trabalho.

LXD – Para que países vende actualmente as suas peças?
JMC – Os produtos domésticos e de escritório a nível europeu e pequenos produtos, tais como tesouras, etc… são vendidos em todo o mundo.

LXD – Considera que o design Português ainda é pouco reconhecido internamente e externamente?
JMC – Imagino que acontece o mesmo que em Espanha, mas é preciso que eventos como o vosso mantenha vivo o espírito. Os resultados de vosso trabalho chegarão!

LXD – O que falta ao design português, se é que falta alguma coisa, para se posicional ao nível do design Italiano, que é reconhecido internacionalmente?
JMC – Assim como na Espanha, eles são conhecidos por pessoas em vez do colectivo. Precisamos que as autoridades, escolas, associações industriais, artesãos, etc… reconheçam e apoiem a necessidade irreversível de apoiar o design como uma ferramenta de diferenciação e de marca na indústria e cultura dos nossos países, cada vez mais imersos num mercado global.

Algumas curiosidades sobre o Jose Manuel G. Ruiz-Clavijo

Género musical preferido | Blues, rock, Jazz
Realizador preferido | Blues, rock, Jazz
Filme preferido | Wild Bunch
Nas férias: praia ou campo? | Em qualquer lugar mas com a minha mulher
Um destino de férias (nacional ou internacional) | Gosto muito de Colónia
Pratica alguma actividade física? | Pensar e correr
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? | A costa norte de Espanha
Qual a sua cor favorita? | Só uma? Impossível!
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? | Na cama quando tenho um projecto novo!
Prato preferido da gastronomia portuguesa? | Peixe, peixe e mais peixe!
Bebida preferida ? | Água com gás
Tem algum animal de estimação? Como se chama? | Sim, um galgo chamado Olmo