João Mena de Matos

CEO European Design Centre

João Mena de Matos - CEO do European Design Centre

“.. Eventos como o Lisboa Design Show são uma óptima oportunidade para promover a exportação de produtos portugueses…”

“Apesar de me tentar manter informado sobre a realidade do design em Portugal, é difícil ter uma visão completa do panorama nacional e por isso não posso indicar “os” dois melhores exemplos. No entanto, temos tido alguns excelentes exemplos no Design Management Europe Award dos quais destaco a Revigrés e a Cifial. Também a Boca do Lobo é uma empresa que apesar de relativamente jovem conseguiu já criar uma imagem muito própria e interessante. “

LISBOA DESIGN SHOW (LXD) – Qual a importância de iniciativas como o Lisboa Design Show para a promoção do design nacional e industrias em que este é um elemento preponderante no marketing mix?
JOÃO MENA (JM) – Eventos como o Lisboa Design Show são uma óptima oportunidade para promover a exportação de produtos portugueses e são uma excelente estratégia de marketing para uma industria altamente criativa mas, no entanto, muito fragmentada que, de outra forma, teria dificuldades em demonstrar todo o seu potencial. Eventos como o Lisboa Design Show funcionam, ao nível internacional, como uma plataforma de lançamento para jovens designers nacionais nos mercados produtores internacionais que estão sempre em busca de novos talentos.

LXD – Qual a missão do European Design Centre?
JM – O European Design Centre usa uma abordagem que integra design, tecnologia, marketing e consumidor para auxiliar empresas tanto públicas como privadas a inovar e crescer. Criamos novas empresas e juntos desenvolvemos produtos, serviços, espaços e experiencias interactivas inovadoras que as tornam únicas.

LXD – Como surge um português a liderar o European Design Centre?
JM – Depois de ter ido viver para a Holanda em 1980 licenciei-me Cum Laude na Design Academy e, sendo um dos pioneiros em “Computer Aided Design (CAD) Systems” implementação de aplicações de ponta em Tecnologias Informáticas, foi um passo natural para mim começar o meu próprio departamento, de Media Lab, no EDC. O EDC nasceu em 1988 com um foque em desenvolvimentos vindos do sector da criatividade e das tecnologias digitais. Após assumir a liderança em alguns dos principais projectos de sucesso internacional como o Virtual Studio e InteractiveTelevision e estabelecer uma ampla rede internacional de universidades, centros de design e as empresas, decidi” independentizar” o EDC da Design Academy e liderar a sua expansão a partir de então.

LXD – É simbólico da evolução do Design Português?
JM – Não, e mais simbólico do espírito de descoberta dos portugueses.

LXD – Na sua intervenção “o valor do design”, que dimensões considera para aferir o valor que o design aporta?
JM – Frequentemente o design está associado elementos estéticos, tendências e luxo, mas o design pode ter um papel muito mais profundo e central.
Para mim, o valor do design esta na forma como pode alinhar-se com a estratégia empresarial e contribuir como elemento diferenciador no posicionamento da empresa. Alem disso, o design tem, cada vez mais, vindo a contribuir para abordar as questões sociais do nosso tempo como integração social, mobilidade ou sustentabilidade ambiental. Irei demonstrar em alguns exemplos das nossas empresas Spinn off, a dimensão extraordinariamente inovadora que o design pode trazer a empresas totalmente diversas.

LXD – Num enquadramento económico como o actual, o design torna-se mais ou menos importante para a tomada de decisões de gestão?
JM – A gestão do design é fundamental para obter os resultados desejados. Não chega contratar um designer e esperar que este(a) assuma a responsabilidade da gestão da marca e dos seus produtos. Este é um erro comum cometido por gestores e administradores com pouco conhecimento sobre design: assumir que o design é apenas importante no final do processo de produção para aumentar o valor estético. Na verdade, é a gestão integrada dos diferentes elementos da marca (design, marketing, produção, etc.) durante todo o processo desde a concepção do produto/ marca até a sua comercialização que permite criar uma abordagem única e diferenciada. Esta é aliás a base do Design Management Europe Award, que reconhece e distingue todos os anos empresas europeias que demonstram uma gestão de design única, eficaz e engenhosa. Tivemos nos últimos anos alguns exemplos portugueses muito interessantes.

LXD – Considera os portugueses criativos? Que visão tem sobre o design em Portugal?
JM – Eu considero os portugueses criativos apesar que essa criatividade ainda não tenha sido traduzida em resultados que contribuam para um posicionamento internacional robusto.
Na Europa, há alguns países com longa tradição no sector que se distinguem por variadas razoes: Itália, Dinamarca ou mesmo a Holanda apresentam características de design muito específicas que tornam os seus outputs identificáveis e icónicos. A nível nacional, é de referir o excelente trabalho do Centro Português de Design que trabalha com pequenas e medias empresas no terreno mas os apoios são poucos e dificultam uma actividade contínua.
Acho que os designers em Portugal deveriam tomar uma posição mais dinâmica e extrovertida no mercado internacional

LXD – Do ponto de vista exterior, quais diria que são os sectores económicos nacionais mais reconhecidos pela sua componente de design?
JM – Diria que o sector têxtil e calçado são talvez os mais reconhecidos.

LXD – A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade de Portugal. Quais são para si os dois melhores exemplos de sucesso?
JM – Apesar de me tentar manter informado sobre a realidade do design em Portugal, é difícil ter uma visão completa do panorama nacional e por isso não posso indicar “os” dois melhores exemplos. No entanto, temos tido alguns excelentes exemplos no Design Management Europe Award dos quais destaco a Revigrés e a Cifial. Também a Boca do Lobo é uma empresa que apesar de relativamente jovem consegui já criar uma imagem muito própria e interessante.