Joana Cabrita

Designer

Joana Cabrita - Designer

É com boa disposição, humor e muitos sorrisos que Joana Cabrita responde às questões colocadas pela CARAS LXD.
Decidiu projectar e desenhar com escalas similares à sua dimensão… sim dimensão!!!!
É a partir do seu metro e sessenta e dois que desenha e cria as suas peças de design, razão, porque inverteu o seu percurso de arquitectura para o curso de design da pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa
Joana Cabrita é uma designer que vive a liberdade da vida sem amarras, até mesmo na sua selecção musical não tem grandes vínculos a qualquer género musical…”, acordo e deito-me com música e é ela que me acompanha a maior parte dos dias…mas vario muito entre o Blues, Jazz, Bossa Nova, Funck, Clássica, Pop, Rock…não sei preterir uns relativamente aos outros, porque me são todos muito prazerosos….”

Quem é a Joana Cabrita?
Sou eu…

Quando decidiu enveredar pelo mundo do design?
Ainda não sei se decidi…(riso)
Decidi quando frequentava o 2º ano do curso de Arquitectura e com o meu metro e sessenta e dois sentia-me muito pequenina com a escala que usava e percebi que precisava de “projectar” algo mais próximo de mim…à minha altura se me faço entender…

Quando tinha 6 anos de idade o que gostava de ser quando fosse grande? Designer?
GRANDE, mãe e professora…até ao presente momento só o ultimo “gostar” dessa altura foi concretizado e com MUITO GOSTO…relativamente aos dois primeiros já não fazem parte do que gostaria de vir a gostar…

Qual a sua formação?
Sou Designer de Equipamento licenciada pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, com uns esboços feitos na Libera Università di Bolzano em Erasmus, e umas prévias maquetas em arquitectura no ISCTE.

Como define a sua enquanto carreira Designer? Identifique um projecto que o tenha marcado.
Como defino a minha formação enquanto Designer? Hum…curta, intensa, abrangente, didática e auto-didatica…de sucessos e fracassos…dentro do expectável.
Um projecto que me tenha marcado…bem, sendo que, normalmente sou eu que os marco…(riso)…posso dizer que o Ligthness também me deu troco, entre dedos completamente esquartejados e calejados, tornou-se uma marca…

Como surgiu a sua participação no Concurso de Design do Lisboa Design Show – Home Sweet Home by Siemens?
Foi saber e fazer…

Como teve conhecimento do concurso Home Sweet Home by Siemens?
Andava à procura de casa e resolvi colocar no motor de busca “procura-se HOME Sweet Home” e…tive a felicidade de encontrar uma para equipar com o melhor do Design Português.

Qual é o grande objectivo da sua participação no Home Sweet Home by Siemens? Ganhar o 1º premio?
Existem participações cujo propósito é mesmo só o de participar mas, essas são aquelas em que não existem prémios…sendo que neste caso existem vários, pelo menos um 1º para disfrutar de umas férias de cidade em cidade! (riso)

Considera que este concurso, Home Sweet Home by Siemens é importante para os designers portugueses? Porquê?
Agora sem ironia. SIM, considero que este concurso é muito importante, não pelos prémios, mas sim pela oportunidade que geram de colaboração entre os Designers e as empresas, cooperação essa, que de outra forma poderá não ser de fácil acesso aos primeiros.
Sobretudo, na actual situação, este género de iniciativas poderão significar, para quem, de outra forma, não consegue uma oportunidade de criar e produzir por conta própria ou por conta de outrem um ponto de partida para a concretização e promoção de um projecto.

É o 1º ano que está participar, apesar que esta ser a 3ª edição?
Costumam dizer que à terceira é de vez…por isso resolvi esperar pela 3ª.

Qual é o seu ponto de vista desta iniciativa e da organização de um evento de design, neste caso o Lisboa Design Show?
Como já referi anteriormente, vejo esta iniciativa como uma excelente oportunidade, para os Designers em início de carreira poderem mostrar as suas apetências, através de projetos, e de obterem um feedback sobre os mesmos de profissionais da área, e de verem os mesmos produzidos e publicitados, por entidades de renome na área da indústria nacional, essa é sem dúvida a grande mais-valia deste concurso.
Relativamente ao Lisboa Design Show, e sendo que, a área do Design em  Portugal está a meu ver em franca expansão, apesar de todas as adversidades provocadas pela falta de apoios estruturais, desde a formação até à entrada no “mercado” e trabalho, este evento terá que se afirmar como um vector para colocar Portugal na “linha” internacional do Design à semelhança do que se faz em todos os Países que apostam nesta área promovendo-a em Feiras como esta, assim como promover o auto-conhecimento dentro de portas.

Porque escolheu responder a determinado briefing em detrimento de outros?
Bem escolher escolher, só escolhi 1, porque o outro foi-me imposto…mas visto que estamos em Portugal já estou habituada aos impostos, é um atras do outro para isto e para aquilo…era previsível que chegasse ao Design também…(riso)
Escolhi de acordo com as minhas áreas de interesse dentro das várias que nos foram apresentadas.

O que mudaria no nosso país para aumentar a expressão do design nacional?
Talvez o mudasse de lugar…sugeria-lhe que fizesse um inter-rail pelo centro e norte da europa, com um bilhete extra até à América do Sul…e depois com conhecimento de causa, escolhesse o melhor lugar geográfico, aquele onde o Design têm neste momento uma expressão primordial…(riso)
Falando mais a sério…começaria por apostar na base…investir na educação, em cursos de Design com uma base de investigação prática preponderante, que envolvesse uma simbiose das universidades com entidades industriais e artesanais nacionais que permitissem a ambas conhecerem as suas competências, e compreender as necessidades sociais e culturais daquele que se pretende ser o seu público…este investimento têm que ser entendido como uma aposta partilhada do estado com o sector privado.
E penso que tem que haver um investimento por partes dos Designers e das entidades que os representam, numa comunicação pedagógica, no sentido de, fazer ver ao público em geral a função do Design, como instrumento para a evolução das sociedade, a nível social, cultural e económico.

Qual é o seu “ídolo” no mundo do design? Nacional e Internacional, porquê?
Leonardo Da Vinci, considero-o não um “ídolo”, mas um génio do Design entre outras artes e ciências, já a nível nacional tenho referencias, não propriamente “ideologias”…(riso)

Se tive que impressionar, para ser contratado pelo melhor gabinete de design de equipamento do mundo, o do seu ídolo, em duas frases o que escrevia?
Impressionar Leonardo Da Vinci seria difícil tendo em conta a distância temporal que nos separa, e como ele também não tinha um gabinete de Design…porque se tivesse, seria provavelmente o melhor do mundo!
Como tal teria que tentar a minha sorte nos gabinetes de design das minhas “referências” Portuguesas o que se torna tarefa algo difícil porque, embora estejam separados de Da Vinci por seculos estes continuam a não ter gabinetes de design…são o que se chama de freelancer…portanto o que poderia era, fazer, e não propriamente dizer, um gabinete de Design em conjunto… (riso)

Considera que os portugueses são criativos?
Alguns em demasia…o problema é para onde a canalizam…fossemos todos Designers e Portugal seria um paraíso de produtividade útil , ao invés de um paraíso…

Há horas do dia que fomentem a criatividade?
Penso que sim, li num estudo que até às 24h há uma constante com alguns picos aleatórios mas que depois dessa hora dá-se um declínio acentuado…deve ser por isso que se começa a estimular que se trabalhe 24h logo desde o início dos cursos para depois se manter esse ritmo quando se arranja trabalho (isto para quem o arranja)

Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
Um designer não sei…eu sim, especialmente peças antigas, deterioradas, abandonadas, o automatismo da transformação é imediatamente activado…como ressuscita-las para uma nova vida?!

O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
Eu diria o contrário …os Portugueses começam a fazer parte das prioridades do Design.
Têm –se multiplicado os projectos de Design de âmbito sociocultural um bocado por todo o espaço geográfico nacional, que têm como prioridade o desenvolvimento social sustentável e o “ressuscitar” da cultura portuguesa, que ao longo das ultimas décadas foi sendo “apagada”, nomeadamente no, e pelo sector do Design.

Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
Penso que os sectores que actualmente ainda não entendem o design como “ferramenta” essencial na concepção dos seus produtos são sobretudo o sector da maquinaria e equipamentos (industria pesada) e o artesanato…
em oposição, as áreas do calçado, da cerâmica, da iluminação, do mobiliário, já têm uma longa tradição de incorporar o Design como instrumento fundamental nas suas criações.

A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso aponta?
Vista Alegre Atlantis, SPAL Porcelanas de Alcobaça, Delta, Renova, CorkDesign, Fly Londen, Climar, Revigrés, Sotkon.

Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para si, o melhor exemplo de design português?
A Vista Alegre Atlantis é uma empresa com muitos anos de existência com produtos de primazia, comercializados aquém e além-fronteiras, que aposta na qualidade sustentada e, sustentando o design, ao apostar em equipas permanentes e temporárias de Designers Nacionais e internacionais, assim como apoiando projetos de Design independentes e fora do circuito interno de produção.

Curiosidades sobre Joana Cabrita

Género musical preferido – Nunca tive uma preferência por um género musical, acordo e deito-me com música e é ela que me acompanha a maior parte dos dias…mas vario muito entre o Blues, Jazz, Bossa Nova, Funck, Clássica, Pop, Rock…não sei preterir uns relativamente aos outros, porque me são todos muito prazerosos.
Género literário preferido – Contos, Novelas e Romances
Autor preferido – José Saramago
Realizador preferido – Fernando Meirelles, Woody Allen, Pedro Almodover
Filme preferido – José & Pilar, Os Edukadores, Ágora, Mar Adentro, Babel, Amor, Pequenas Mentiras entre amigos, 360, Diários de uma Motocicleta, Avida é Bella, Vicky Cristina Barcelona…demasiados…  é como na musica, não consigo escolher um.
Livro de cabeceira – Principezinho
Um álbum que o tenha marcado – The Beatles 1967-1970
Um livro que o tenha marcado – Ensaio sobre a Lucides
Um filme que o tenha marcado – José & Pilar
Nas férias: praia ou campo? Nas férias, e durante todo o ano, praia e campo mas sobretudo, CIDADE nas férias.
Um destino de férias (nacional ou internacional) – Costa Vicentina, Porto, Paris, Berlim, Barcelona, Itália de norte a sul, Baia da Biscaia, Costa Atlântica Francesa…
Pratica alguma actividade física? Praticava até me lesionar há 4 meses…andava de bicicleta e corria diariamente…agora só dou liberdade às pernas dentro de agua…(riso)
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? Costa Vicentina, Lisboa, Porto…
Qual a sua cor favorita? Verde
Qual o seu fruto favorito? Laranja
Divisão da casa favorita? Varanda/açoteia
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? Sala
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? Literalmente fora de casa…na rua ao ar livre!
Prato preferido da gastronomia nacional – Cavala grelhada com salada montanheira e pão caseiro algarvó-alentejano
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Estrelas de figos
Água, vinho ou cerveja? Chá…chá chá chá…
Tem algum animal de estimação? Como se chama? Sempre tive desde que me lembro de existir…não sei se quando era pequena eles se auto-apelidariam de “estimação” quando eu os punha a andar de carrinho de bonecas entre outros estimos que lhes tinha…(riso)…neste momento estimo 3, de seus nomes Motka,  Nina e Gato, os dois primeiros de espécie canina o terceiro, caso duvidas existissem, de espécie felina.