Guilherme Almeida

Designer

Guilherme Almeida - Designer

Guilherme Almeida queria ser bombeiro, mas é na área do Design que apaga fogos.
Só no 3º ano de faculdade teve a certeza que o design fazia parte da sua vida e era o caminho que queria seguir.
É um dos finalista do Concurso Design Home Sweet Home e apesar de ambicionar o 1º prémio, o objectivo primário é expor os seus projectos no LXD13.

“…O bom design não tem necessariamente de culminar em resultados caros….”

Guilherme, recomenda o Alentejo como destino de férias, em território nacional, é um apreciador da gastronomia portuguesa, como  Polvo ou bacalhau à lagareiro e um bom vinho verde, e para terminar uma boa refeição… o Bolo de bolacha.

Quem é o Guilherme Almeida?
Alguém bastante observador do mundo quer próximo, quer distante de si.

Quando decidiu enveredar pelo mundo do design?
Tarde. Só tive certeza no 3º ano da faculdade.

Quando tinha 6 anos de idade o que gostava de ser quando fosse grande? Designer?
Não. Nunca fui de planear o futuro, as coisas vão acontecendo uma de cada vez. Aos 6 anos lembro-me que queria ser bombeiro.

Qual a sua formação?
Fiz 2 anos de científicos, depois resolvi mudar para Arte Visuais. Foi o melhor que fiz; o objectivo era seguir Artes Plásticas, contudo, quis aliar alguma “segurança” à minha paixão pelo desenho e acabei por fazer uma licenciatura em Arte e Design. Actualmente encontro-me a fazer um mestrado em Engenharia e Design de Produto em Aveiro que irei prosseguir no próximo ano em Milão.

Como define a sua carreira enquanto Designer? Identifique um projecto que o tenha marcado.
Gosto de criar algum tipo de interacção física entre o produto e o utilizador, fomentando dessa forma uma relação emocional entre um e outro. No último ano da licenciatura projectei um módulo habitacional que explorava de forma intensa essa relação entre utilizador e objecto.

Como surgiu a sua participação no Concurso de Design do Lisboa Design Show – Home Sweet Home by Siemens?
Como ainda não ingressei no mercado de trabalho, sinto que os meus projectos (e os dos estudantes de design de um modo geral) ficam remetidos em demasia ao universo académico. Quis evidenciar o meu trabalho para além disso e aproveitei este concurso.

Como teve conhecimento do concurso Home Sweet Home by Siemens?
Tive conhecimento do concurso através de uma revista online – a Design Magazine se não estou em erro.

Qual é o grande objectivo da sua participação no Home Sweet Home by Siemens? Ganhar o 1º prémio?
O primeiro prémio seria um bom reconhecimento dos meus projectos, no entanto o objectivo primário era expô-los no LXD13.

Considera que este concurso, Home Sweet Home by Siemens é importante para os designers portugueses? Porquê?
Sim. Sendo um concurso recente, penso que é essencial para os jovens designers demonstrarem o seu valor e enriquecerem o currículo.

É o 1º ano que está participar, apesar que esta ser a 3ª edição?
Participei no ano passado, tendo exposto um projecto.

Qual é o seu ponto de vista desta iniciativa e da organização de um evento de design, neste caso o Lisboa Design Show?
Não sendo uma feira de renome mundial, penso que é essencial para que pequenos players possam potenciar-se e mostrar as suas ideias. Por outro lado, é um local onde os expositores se podem avaliar mutuamente, fomentando uma rivalidade que é saudável para o seu progresso e consequentemente para o progresso do próprio país.

Porque escolheu responder a determinado briefing em detrimento de outros?
Quando li os briefings surgiram algumas ideias para todos eles, contudo explorei as que considerei mais interessantes.

O que mudaria no nosso país para aumentar a expressão do design nacional?
É uma questão difícil uma vez que é uma questão cultural. Apesar de lentamente, penso que a tendência de apostar no design tem vindo a mudar de forma positiva. Os empresários têm um papel fundamental em acrescentar valor aos produtos e em aumentar as capacidades criativas das suas empresas e o bom design é um dos maiores catalisadores desse valor.

Qual é o seu “ídolo” no mundo do design? Nacional e Internacional, porquê?
No panorama nacional gosto do trabalho do Rui Alves. Tem um trabalho muito simples mas que nos transporta de forma sublime para o universo que explora em cada projecto. A nível internacional há vários, no entanto, saliento o trabalho desenvolvido pela Droog Design. Todos os trabalhos possuem uma componente conceptual profunda e irreverente. É impossível ser indiferente às peças deles.

Se tivesse que impressionar, para ser contratado pelo melhor gabinete de design de equipamento do mundo, o do seu ídolo, em duas frases o que escrevia?
Esperava que não me contratassem por causa de uma frase.

Considera que os portugueses são criativos?
É das melhores características que temos. Só precisamos de ser mais organizados como povo e termos objectivos comuns. Normalmente isso acontece com a selecção de futebol e é bonito.

Há horas do dia que fomentem a criatividade?
Funciono bem no limiar do estar acordado e estar a dormir. Surgem coisas que me obrigam a levantar da cama para apontar logo. É incrível.

Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
Quase sempre. Às vezes gostava de me preocupar menos.

O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
Penso que não. Compreendo que haja uma tendência para que as pessoas considerem que apostar no design é caro e não queiram investir nesta área devido ao contexto económico actual, no entanto, deve-se partir do principio que os designers são profissionais informados que podem, de forma criativa, encontrar soluções ainda mais acessíveis que as convencionais. O bom design não tem necessariamente de culminar em resultados caros.

Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
Actualmente encontro-me a desenvolver um projecto relacionado com a EDP e tenho reparado que o sector energético é um nicho com um potencial enorme a desenvolver. A nível industrial, uma das empresas que melhor emprega o design em Portugal é a Adira.

A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso aponta?
Há algumas que, sendo recentes, já conquistaram alguma notoriedade a nível internacional. É o caso da Wewood, da Munna, da Delightfull ou Boca do Lobo. Todas elas com uma boa estratégia de markting.

Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para si, o melhor exemplo de design português?
É difícil. É como as músicas, vamos tendo preferidas. Neste momento tenho de falar no Colectivo da Rainha.

Curiosidades sobre Guilherme Almeida

Género musical preferido – Jazz
Género literário preferido – Policiais
Autor preferido – Rex Stout
Realizador preferido – Quin Tarantino
Filme preferido – Pulp Fiction
Livro de cabeceira – “Por quem os sinos dobram”, Hernest Hemingway
Um álbum que o tenha marcado – Bleach, Nirvana
Um livro que o tenha marcado – “A pérola”, John Steinbeck
Um filme que o tenha marcado – Pulp Fiction
Nas férias: praia ou campo? – Campo
Um destino de férias (nacional ou internacional) – Mediterrâneo
Pratica alguma actividade física? – Recreativamente atletismo e ciclismo de montanha
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? – Gosto mesmo de me perder pelo Alentejo, por isso recomendo.
Qual a sua cor favorita? – Azul
Qual o seu fruto favorito? – Laranja
Divisão da casa favorita? – Banheira conta?
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? – Quarto
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? – Fora de casa
Prato preferido da gastronomia nacional – Polvo ou bacalhau à lagareiro
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Bolo de bolacha
Água, vinho ou cerveja? – Vinho verde
Tem algum animal de estimação? Como se chama? – Não tenho.