Eduardo Noronha

Designer Arco da Velha

Eduardo Noronha - Designer Arco da Velha

“…considero estes eventos também muito interessantes pela concentração de interesses que se consegue reunir nestes espaços, potenciando oportunidades de negócios.”

Eduardo Noronha , elege Francisco Providência, Henrique Cayatte, Carlos Aguiar, João Nunes como a grande geração de designers responsáveis pelo reconhecimento do design em Portugal, e considera-se um “sortudo” por ter tido o privilégio de conhecer estes designers.
É um apaixonado por Portugal, adora comer, mas é o grão-de-bico que o deixa perdido, não descurando um bom vinho tinto à refeição.
Considera que eventos como o LISBOA DESIGN SHOW são muito importantes e muito interessantes. Importantes porque servem de montra para o que se faz cá dentro. Ajudam a dar uma perspectiva sobre o nível evolutivo das nossas empresas, já que a comparação pelos pares é fácil de fazer. Por outro lado, considero estes eventos também muito interessantes pela concentração de interesses que se consegue reunir nestes espaços, potenciando oportunidades de negócios.

“O Arco da Velha estará onde estão os melhores, e é assim que nos posicionamos, por isso fazemos a aposta nesta feira.”

LISBOA DESIGN SHOW (LXD) – Existe alguma influência Portuguesa no trabalho que desenvolve?
EDUARDO NORONHA (EN) – Sim. O meu trabalho é o resultado de todas as experiências do dia-a-dia. O contacto que tenho com o trabalho de colegas, a abordagem aos projectos que desenvolvemos, o relacionamento com as várias pessoas que interagimos ao longo do dia é, sem dúvida, uma influência.

LXD – Como define o seu trabalho?
EN –A maneira como defino o meu trabalho tem, essencialmente, a ver com o modo como encaro a minha profissão. Esforço-me por ser rigoroso. Acredito, pelos comentários que recebo, que esse rigor é “visível” e apreciado. Culturalmente, não temos muita tradição do rigor, mas quando percebemos que o nosso trabalho é cada vez mais sufragado, não podemos facilitar. Ser empreendedor, hoje, significa trabalhar num mercado universal, e a concorrência obriga-nos a fazer todos os dias melhor.

LXD – É influenciado por alguma “geração” de designers? SIM , qual?
EN – Sim. Há uma geração de excelência que conseguiu feitos incríveis, principalmente, olhando aos parcos meios que dispunham. Sena da Silva, Daciano da Costa, Sebastião Rodrigues e muitos outros foram os grandes impulsionadores do design, em Portugal. No entanto, as minhas influências, resultam da proximidade e da sorte que tive em conhecer designers como Francisco Providência, Henrique Cayatte, Carlos Aguiar, João Nunes etc.
Esta é para mim, sem dúvida, a grande geração de designers responsáveis pelo reconhecimento do design em Portugal e no mundo.

LXD – Se tivesse que escolher um designer internacional, qual o que elegia como o seu “ídolo”, “mentor”? e Porquê?
EN – Há, obviamente, pelo trabalho que têm desenvolvido, designers internacionais de referência para qualquer pessoa no mundo. Alvar Aalto, Le Corbusier, Philippe Starck, Karim Rashid, etc, etc, têm, hoje, os seus trabalhos completamente disseminados e infiltrados na nossa sociedade. No entanto, considero que a minha grande referência é o Francisco Providência por todo o trabalho que tem desenvolvido ao longo destes anos, e pela abrangência de áreas do design onde actua sempre a um nível superior.

LXD – Segue com regularidade o trabalho de algum designer?
EN – Nenhum em concreto. Acho admirável a dinâmica de novos designers que todos os dias surgem, com trabalhos fantásticos, com ideias surpreendentes, e com a facilidade com que essa informação chega até nós. Depois, o que fica, é a capacidade de elevar a fasquia e manter a regularidade desses bons trabalhos. Nesse aspecto, marcas como a Boca do Lobo, Alma Design, Fernando Brízio, Joana Vasconcelos, etc são referências a seguir.

LXD – Como se actualiza no mundo do design?
EN – A internet é sem dúvida o meio por excelência para estarmos actualizados, até pela explosão de talentos que todos os dias surgem e que encontram aí a porta para mostrar o seu trabalho. Sempre que possível marco presença em conferências de design, mas a leitura de livros e revistas da área é fundamental. Penso que encontramos nesses suportes, informação mais filtrada e mais fundamentada.

LXD – Qual a sua “fonte” de inspiração? Se é que tem uma fonte?
EN – A minha fonte de inspiração é a minha vida. Uma corrida à beira-mar ao final do dia, uma conversa com um cliente ou um amigo, uma notícia na televisão, uma música ouvida no rádio do carro, etc. Estou, normalmente, atento ao que me rodeia e encontro, muitas vezes, soluções para os meus projectos em pormenores insignificantes. De qualquer forma, o que verifico é que todos esses inputs são importantes para desencadear um processo criativo, mas não garantem, por si só, absolutamente nada. Só a persistência potencia a performance.

LXD – Considera que o design é uma disciplina ou uma moda?
EN – Uma disciplina claro. Não posso negar que há por vezes um certo aproveitamento da forma em detrimento do conteúdo, mas o que é verdadeiro persiste no tempo e vem provar que o design, enquanto disciplina, é uma ferramenta para criar valor acrescentado e que distingue no mercado as empresas que fazem essa aposta.

LXD – O optimismo é uma ‘arma’ no design?
EN – Completamente. Arriscaria a dizer, que não há design no pessimismo. A concepção trágica de uma ideia resulta no seu fracasso, mesmo antes de esta começar.

LXD – Há horas do dia que fomentem a criatividade?
EN – Não. Não acredito em fórmulas mágicas. Podemos contribuir para um ambiente mais propício a essa criatividade. Mas em coisas simples, como o ruído, a concentração, luz, companhia, etc, mas mesmo reunindo todos esses factores, não há garantias. O que a minha experiência diz, é que se insistirmos, estudarmos, virarmos de folha e continuarmos a insistir, a desenhar, vamos progredir. E, muitas vezes, é nessa progressão que as soluções mais criativas surgem. Dificilmente elas aparecem numa fase inicial.

LXD – Quais as mais-valias do design num produto ou numa organização?
EN – Entendo que o design é tão importante numa organização como ter contabilidade organizada. Se imaginarmos que todos os dias somos confrontados com produtos – e podem ser eles de carácter tridimensional ou bidimensional – quando escolhemos um filme, compramos móveis para a casa, trocamos de carro, escolhemos um livro, vamos ao supermercado, compramos roupa, etc, é fácil perceber que escolhemos sempre o bom design. A concorrência entre empresas faz-se pelo que conseguem produzir com os meios que dispõem, e nesse campo, o designer tem um papel fundamental, não só na adequação dos projectos que desenvolve à dinâmica da própria empresa, mas também no contributo para a definição estratégica e de posicionamento que esta deve tomar. Por definição, o design é transversal, é aglutinador de disciplinas, e tem no seu código de ética o compromisso de contribuir para a proliferação desse bom design.

LXD – Como define o design português, se é que existe alguma linha condutora que o distinga do design italiano, francês, japonês e por aí…?
EN – As diferenças tendem a diluir-se. As especificidades do meio estão cada vez mais acessíveis, a tecnologia disponível é universal, e a intercomunicação entre os povos cresce todos os dias. É certo que conseguimos identificar numa peça a sobriedade de um desenho escandinavo, ou uma metodologia alemã, ou a beleza de um traço italiano, etc, mas o design é mais do que um desenho, é todo um processo de desenvolvimento que não pode estar alheado das regras existentes, sejam elas regras de segurança, regras de mercado, investimentos, etc, e nesse sentido o design é cada vez mais homogéneo. O que define o design português é a influência da sua cultura e da sua identidade na génese da sua expressão.

LXD – Considera que os portugueses são criativos?
EN – Sim, muito. Poderíamos associar a criatividade predominantemente às artes, mas ela está presente em muitas outras áreas. Todos os dias vemos exemplos de portugueses que se destacam pela criatividade que imprimem nas suas actividades e lhes permite destacar-se da concorrência. É disso exemplo, a forma como muitos empresários têm encontrado soluções criativas para resolver os problemas das suas empresas, através da forma como se posicionam em determinado mercado, ou como gerem as finanças da empresa, como conquistam um cliente, etc.

LXD – Porque razão está a apostar no mercado Português?
EN – Portugal já não é o país da Geografia do Fatalismo retratado por Mário Ventura e João Francisco Vilhena. Hoje, Portugal é um país de top no mundo. Damos cartas em muitos sectores e temos dos melhores profissionais do mundo na área da investigação, das energias renováveis, no desporto, na arquitectura, na literatura, na música, na saúde, etc. O Arco da Velha estará onde estão os melhores, e é assim que nos posicionamos, por isso fazemos a aposta nesta feira.

LXD – Participa habitualmente em eventos de design? Quais?
EN – As feiras são um veículo por excelência para promover e divulgar os nossos produtos e imagem. No entanto, entendo que para fazer essa aposta é necessário percorrer um caminho a montante. O percurso do Arco da Velha tem sido lento mas sedimentado. Entendo que para atingir os objectivos de médio e longo prazo definidos há que dar todos os passos. Não basta vender, é preciso convencer e deixar todos os clientes Arco da Velha satisfeitos, e nesse aspecto estão envolvidas muitas variáveis, como os prazos de entrega, o nível de acabamento, a embalagem, o preço, o transporte, toda a logística envolvida, etc, e esse é um trabalho extenso e que só depois de estar completamente assimilado é que se pode pensar em números maiores.

LXD – Que importância atribui a um evento como o Lisboa Design Show no mercado Português?
EN – Considero que estes eventos são muito importantes e muito interessantes. Importantes porque servem de montra para o que se faz cá dentro. Ajudam a dar uma perspectiva sobre o nível evolutivo das nossas empresas, já que a comparação pelos pares é fácil de fazer. Por outro lado, considero estes eventos também muito interessantes pela concentração de interesses que se consegue reunir nestes espaços, potenciando oportunidades de negócios.

LXD – Quais são os canais de distribuição que utiliza para colocar as suas peças acessíveis ao consumidor final?
EN – Neste momento, os produtos Arco da Velha estão a ser dirigidos ao consumidor final através da internet pelo site da marca e das redes sociais que vão actualizando as notícias e, fisicamente, através de um showroom em Aveiro onde temos os produtos para poderem ser experimentados.

LXD – Como define o seu cliente?
EN – Os clientes Arco da Velha são, essencialmente, pessoas que procuram algo diferente. Que apreciam qualidade, sofisticação, que dão atenção ao pormenor e são descomprometidas de marcas sensacionalistas. Reconhecem o bom design e estão dispostos a pagar um valor justo pelos produtos que adquirem. São pessoas apaixonadas pela vida, que vêem numa peça Arco da Velha, um complemento para o seu bem estar dentro de casa.

LXD – Para que países vende actualmente as suas peças?
EN – Esta feira servirá como ponto de partida para um projecto maior que está perfeitamente definido. Esta iniciativa acontece pela confirmação que tivemos da necessidade de expansão. Temos cada vez mais solicitações de pessoas que, fora de Portugal, têm contacto com os nossos produtos e querem saber como os adquirir. Infelizmente, como essa perspectiva de exportação ainda não estava considerada, os valores logísticos associados à venda pontual para os EUA, Austrália e Norte da Europa ficam muito dispendiosos. Por esse motivo temos, sobretudo, vendido no mercado nacional e algumas cidades de Espanha.

LXD – Considera que o design Português ainda é pouco reconhecido internamente e externamente?
EN – Se considerarmos que o reconhecimento da profissão de Designer só existe desde 2007, pela alteração do Código do IRS, eu diria que passados 5 anos, poucas profissões poderiam registar um crescimento tão grande como esta. O reconhecimento da profissão é de facto ainda muito embrionário, mas todo o trabalho feito ao longo destas últimas décadas tem sido extraordinário, colocando hoje o trabalho dos nossos designers ao nível do melhor que se faz lá fora, e a expressão do que estou a dizer são os múltiplos prémios internacionais ganhos, red dots que têm vindo para Portugal, o trabalho de designers portugueses expostos nos melhores museus do mundo, etc. O design português está de boa saúde e recomenda-se.

LXD – O que falta ao design português, se é que falta alguma coisa, para se posicional ao nível do design Italiano, que é reconhecido internacionalmente?
EN – Tempo.

Algumas curiosidades sobre o Eduardo Noronha

Género musical preferido | Pop rock e clássica
Realizador preferido | David Fincher entre outros
Filme preferido | Angel-A
Nas férias: praia ou campo? | Campo
Um destino de férias (nacional ou internacional) | China. Gostava de conhecer in loco a realidade da China tradicional, daquelas aldeias perdidas no tempo que vivem em total harmonia com o meio e ainda não foram corrompidas pela modernidade
Pratica alguma actividade física? | Corrida por prazer
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? | Não consigo identificar um. Portugal, nesse aspecto, tem locais surpreendentemente interessantes, seja pela gastronomia, pela paisagem, pela geografia, pelo clima, pelas pessoas, etc
Qual a sua cor favorita? | Não sei
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? | Sala
Prato preferido da gastronomia portuguesa? | Adoro comer. Desde que não inclua nabos, gosto de tudo, mas fico perdido com grão de bico
Bebida preferida ? | No verão, cerveja. A acompanhar uma boa refeição demorada, vinho tinto
Tem algum animal de estimação? Como se chama? | Neste momento não