Anabela Marques – Idict

Anabela Marques - Designer e owner da Idict

Anabela Marques - Designer e owner da Idict

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Uma alentejana de 31 anos, natural de Évora, dedicada professora de artes visuais, começou o seu projecto em Barcelona, Idict by Anabela Marques, e com 3 anos de existência está representada em 5 países, nomeadamente: Itália, França, Suíça, Cabo Verde e Portugal, claro!
“Os contactos surgiram em Feiras Internacionais em que participei: em Milão, em Paris e no Lisboa Design Show, na FIL, em Lisboa.”
A sua participação no LXD´13 garantiu-se a entrada no mercado de Cabo Verde e novos pontos de venda em Portugal… Participar no LXD: “Foi importante na divulgação do projeto, fiz contactos importantes e que se revelaram mais tarde em novos pontos de venda a nível nacional e internacional.”
Para a Idict, participar no Lisboa Design Show …“É uma excelente oportunidade de contactos e um evento com grande relevância.”
Para quem está a começar, Anabela deixa uma mensagem com energia: “Em primeiro lugar é importante acreditar no trabalho que se desenvolve, ter orgulho, solidez e espírito de sacrifício suficientes para não desistir. E ao mesmo tempo humildade e flexibilidade para evoluir. Estas são as ideias base que me guiam.”

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Quem é a Anabela Marques?
(vou responder na 1ª pessoa)
Sou uma alentejana de 31 anos, discreta, mas gosto de marcar pela diferença. Atenta aos pormenores, divirto-me com pequenas coisas. Dou muito valor a bons momentos, mais do que a grandes bens.
Sou muito trabalhadora e esforçada, quando acredito no que faço, as horas deixam de existir e o tempo passa num instante. Gosto de desafios, mas não descanso enquanto não os ultrapasso, fico nervosa e apreensiva, mas quando os consigo alcançar sinto uma euforia interior gigante!

Como começou o seu projecto?
O Projeto Idict by Anabela Marques surgiu em Barcelona, em maio de 2011. Na altura vivia lá, estava a fazer uma pós-graduação da faculdade de Belas Artes. Comecei por brincadeira a fazer uns alfinetes com desperdícios, tampas de plástico, papeis de revistas e tudo o que encontrava que me parecia engraçado recolhia e utilizava naqueles pequenos objectos. Todos saíam diferentes e estava a divertir-me muito. Tive conhecimento que se ia realizar um mercado de artesanato urbano nos Jardinets de Gràcia, muito perto da praça da Catalunha, e tratei de me inscrever. A primeira peça já foi vendida com a etiqueta e o envelope, que ainda hoje uso 🙂

Como surgiu a ideia?
A ideia ligada à técnica que criei e desenvolvi de raiz na reutilização de plástico pet e revistas de arte surgiu já em Portugal, em agosto de 2011. Tinha chegado há pouco tempo de Barcelona e tinha aterrado de para-quedas em Aguiar, uma vila no distrito de Évora. Continuava a fazer os alfinetes porque tinham feito muito sucesso e estava entusiasmada. Porém, um dia um amigo disse-me: “E se alargasses a tipologia de peças? Porque não começas a fazer também colares e pulseiras? Terás ainda mais vendas!” Então comecei a pensar em materiais que pudesse reutilizar, pois a base do meu trabalho foi desde o início a reciclagem. Pensei no plástico pet e comecei a fazer experiências com esse material. Na altura pareceu-me que a transparência era limitadora e associei então as imagens provenientes de revistas de arte do tempo da faculdade. A primeira peça foi uma pulseira que tinha como título: “Santos negros” Era linda! Coloquei no pulso para a experimentar e vendi-a na mesma hora a uma amiga, nem sequer sabia que preço lhe colocar 🙂 Lembro-me como se se tivesse passado ontem!…

O que fazia antes? Estudava? Tinha outra profissão?
Sim, sou professora de Artes Visuais. Mas neste momento estou a leccionar poucas horas, apenas 5 por semana.

Qual a sua formação?
Tenho formação em Pintura, pela Universidade de Évora e sou Pósgraduada em Desenho de Nível Superior pela Universidade de Barcelona.

Porquê esta marca IDICT? Como surge? E como chegou lá?
A Idict (nome, não sigla) surgiu antes do projecto de joalharia sustentável, meses antes da primeira peça.
Eu costumo usar um diário gráfico na mala e sempre que tenho tempos mortos, ou estou à espera, de preferência sozinha tenho o hábito de fazer uns rabiscos, ou desenho, depende do tempo… E em outubro de 2010, quando decidi despedir-me do colégio onde leccionava e ir à aventura, precisei de ir ao Instituto de Desenvolvimento e Condições do Trabalho. Estava uma fila gigante e tirei o meu DG para fazer um desenho. Reparei, porém, que já não tinha folhas em branco, o filhote de uma grande amiga tinha rabiscado as últimas 4 que restavam… ora decidi utilizar um dos rabiscos do Santi (diminutivo) que me parecia o perfil de um rosto feminino e construir o desenho a partir daí. Saíu a imagem que hoje está associada à minha marca. No final decidi colocar-lhe um nome e escrevê-lo na própria página do desenho. Olhei em frente e reparei na sigla do serviço onde estava e assimilei ao nome Edite, mas Idict pareceu-me ainda melhor, mais internacional 🙂
Mais tarde, quando decidi comercializar as peças, pensei que havia de inventar um logótipo, uma marca… lembrei-me de ir vasculhar os meus DG, não fosse estar lá uma solução rápida. E estava, não só a solução rápida, como a solução ideal. Aquele desenho tinha sido feito num momento decisivo, numa altura em que tinha decidido mudar de vida, deixar tudo o que me prendia e seguir em busca de não sabia bem o quê, mas que estava determinada e super empolgada, isso estava! E valeu muito a pena! Tudo o que me aconteceu desde esse momento não se paga com dinheiro! 🙂

Porquê peças que reaproveitam o papel e plástico, cujo o destino provável seria o lixo?
Como disse, desde a origem que este projecto se apoia na sustentabilidade e reutilização de materiais. Produzimos demasiado lixo, para mim é fundamental que o reutilizemos.
Escolhi estes dois materiais porque, primeiramente, tinha-os à mão e depois pelas características formais que apresentam. O papel (este que utilizo especificamente as revistas de arte e catálogos de exposições antigas ou com erros de gráfica) tem tanta informação importante, linda e que deve ser vista.
Se pudermos reaproveitar porque não? Não estaria melhor no armazém a ganhar pó e dali ir para o inevitável destino: o papelão.
O plástico pelo brilho, transparência, leveza e facilidade de ser trabalhar.

Onde “arranja” a matéria-prima, tem alguma parceria com um depositário de papel?
No principio comecei por utilizar revistas antigas que tinha em casa, depois solicitei a alguns Museus catálogos de exposições e revistas antigas, ou com erros de impressão. O plástico PET é desperdício cá de casa. Os meus pais são proprietários de um restaurante e este tipo de material gasta-se em alguma quantidade. Para além disso, tenho os vizinhos a carregarem embalagens para o meu quintal, em vez de o levarem para o eco-ponto. Portanto, até à data, ainda não precisei de estabelecer nenhum protocolo com nenhuma entidade de recolha.

1 ano e 5 paises! Em que países está representada? Como surgiram esses contactos?
Neste momento estou representada em Itália, França, Suíça, Cabo Verde e Portugal, claro!
Os contactos para exportar surgiram em Feiras Internacionais em que participei: em Milão, em Paris e na Fil, em Lisboa.

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Qual o país que a contactou durante a sua participação no Lisboa Design Show?
Cabo Verde.

Surgiram outros contactos profissionais a nível nacional?

Sim. Novos pontos de venda e vendas finais relevantes.

Qual a receptividade por parte do consumidor final?
Ótima! Os visitantes mostraram-se muito surpreendidos e agradados com a técnica e com o resultado final das peças.

Qual a importância do Lisboa Design Show para a IDICT e para os designers que procuram uma plataforma para lançar os seus projectos, as suas marcas?
Foi importante na divulgação do projeto, fiz contactos importantes e que se revelaram mais tarde em novos pontos de venda a nível nacional e internacional.

Se tivesse que deixar uma mensagem aos jovens designers sobre as potencialidades do LXD, o que lhe diria?
É uma excelente oportunidade de contactos e um evento com grande relevância.

Complete a frase de forma criativa:
O Lisboa Design Show é:
a chave para o reconhecimento do teu projeto!

Como é o dia-a-dia de um criativo, neste caso o seu?
Pela manhã, como sou pouco produtiva em trabalhos criativos, vou correr (desporto que pratico desde os 19 anos), vejo o e-mail, respondo a contactos, vejo a página de facebook, e termino alguma peça que tenha deixado por acabar. Durante a tarde começo a criar peças ou a responder a encomendas. Tenho que fazer uma pequena paragem a meio (Leciono Atividades de Enriquecimento Curricular no concelho de Viana do Alentejo, onde resido). Volto e continuo o trabalho de criação de peças até tarde. Em alturas de muito trabalho, tenho que alargar o horário.

É uma pessoa disciplinada? Gosta mais de trabalhar à noite ou durante o dia?
Sou uma pessoa disciplinada, o meu cérebro é que não 🙂
Tento várias vezes começar a produzir peças cedo, às 8h, 9h da manhã. Não consigo! Posso estar desde essa hora sentada na secretária, mas só começo a produzir perto das 11h, 12h… depois tenho de terminar muito tarde… a minha parte racional gostaria de começar mais cedo, para terminar o dia de trabalho mais cedo, mas não funciona…

Neste momento é a Anabela que faz todas as peças ou já tem alguém a trabalhar consigo?
Como costumo dizer, sou One Woman Show! Faço tudo: a preparação do material, criação de peças, envelopes para guardar as peças, contactos com lojas, contactos com clientes, compra de material, gerir a página de FB e o Site. Em alturas de maior stress a minha mãe e irmã ajudam-me na preparação do material e finalização das peças. Os envelopes também delego a uma amiga. As caixas são feitas pela Crafteaser. Os flyers e o Catálogo pelo Atelier Mais.

De Évora para o Mundo, é um reflexo da globalização, certo?
Sim, sem dúvida! Constatei que de Aguiar, chego a todo o lado! Bastou enviar um e-mail com uma pequena descrição do projecto para o site Green Savers, no dia 6 de janeiro de 2013 e no dia 7 estava on-line uma notícia com o título “Designer portuguesa cria marca de joalharia sustentável” e posso dizer que começou aí esta minha grande aventura! Sem precisar de me deslocar a Lisboa, ou qualquer outro sítio onde se passem coisas. Preciso de internet, dos Correios e de viajar de vez em quando para aprender, absorver sensações, experimentar outras realidades, mas atualmente sinto-me muito bem na vila onde nasci e cresci.

Os Jovens designers têm “Palco” em Portugal?
É difícil, mas as portas abrem-se a projetos inovadores. Claro que é inevitável alargar o raio de ação com o mercado exterior. A parte burocrática também é muito exigente, mas com força e perseverança tudo se ultrapassa.

Que mensagem deixa para os jovens designers que ambicionam criar a sua marca?
Em primeiro lugar é importante acreditar no trabalho que se desenvolve, ter orgulho, solidez e espírito de sacrifício suficientes para não desistir. E ao mesmo tempo humildade e flexibilidade para evoluir. Estas são as ideias base que me guiam.

Qual é o seu “ídolo” no mundo do design? Nacional e Internacional, porquê?
A Carla Matos da MateriaLab é para mim um exemplo de trabalho e de conquista, adoro o projeto dela, é inspirador. Além disso é uma excelente pessoa e tem um sentido de companheirismo incrível!
A Denise Reytan, pelas peças que cria que são verdadeiras obras de arte.

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Curiosidades sobre Anabela Marques

Género musical preferido
Não tenho um género musical preferido, gosto de música que me surpreenda, que traga algo de novo ao que já existe. Mas posso nomear alguns géneros que me agradam: música do mundo, alternativa, clássica, pop-rock. Ouço imensa música portuguesa, principalmente as novas bandas e novos artistas
Género literário preferido
Conto; critica social; sátira; romance.
Autores preferidos
Dostoiévsky, Gogol e Kafka
Realizadores preferidos
Quentin Tarantino; Emir Kusturica
Filme preferido
O Fabuloso Destino de Amelie
Livro de cabeceira
Não tenho um livro a que recorra frequentemente, neste momento o que está lá é A Arte de Sonhar, de António Cândido Franco.
Um álbum que a tenha marcado
A banda sonora do Fabuloso Destino de Amelie. Sou apaixonada por Yann Tiersen.
Um livro que a tenha marcado
O Idiota
Ensaio sobre a Cegueira
O Diário de um Louco
O Perfume
Um filme que a tenha marcado
Milk; Precious
Nas férias: praia ou campo?
Praia.
Um destino de férias (nacional ou internacional)
Itália de norte a sul, conheço apenas 2 cidades e fiquei ainda com mais vontade de conhecer o pais todo…
Pratica alguma actividade física?
Corrida desde os 19 anos.
Em férias, qual o destino nacional que recomenda?
A Costa alentejana, tem recantos lindíssimos.

Neste momento sinto-me inconformada com a situação político-social atual. Inquieta-me pensar que as mudanças a que assistimos sejam definitivas, que o fosso que se está a criar entre pobres e milionários seja o objetivo daqueles que nos governam.