DAM

Vencedores do passatempo Next Promisse DESIGN 2013

DAM

DAM é uma dupla de designers, a Joana Santos e o Hugo Silva que decidiram juntar-se para criar a marca, depois de terem ganho o gosto e o prazer de trabalharem juntos no 3º ano no curso de Design.
Até entrarem na Universidade nenhum imaginava ser designer, a Joana gostava muito de Musica e Pintura e o Hugo ambicionava ser um atleta de alta competição.
Apesar de jovens, “garra” não lhes falta. Começam a colher frutos do seu trabalho, recentemente foram os eleitos na categoria de mobiliário da 5ª edição dos POPs – Projetos Originais Portugueses – , organizada pela Loja do Museu de Serralves e em Setembro abraçam o desafio de apresentar a sua criatividade na 100%Design em Londres e vão estar no Lisboa Design Show porque foram eleitos pela comunidades de fans do LXD, como os NP DESIGN ´13 – NEXT PROMISSE DESIGN ´13.
Desafiam Marti Guixé para os acompanhar num  pequeno almoço e a rabiscar possivelmente a toalha de mesa, Patrícia Urquiola para passar uma tarde na conversa e à noite beber uns copos com o Philip Starck.

Lisboa Design Show (LXD) – A DAM é uma dupla de designers, a Joana Santos e o Hugo Silva, como se encontraram?
DAM – Entramos ambos no curso de Design da Universidade de Aveiro em 2004, por isso estudamos na mesma turma. Mas foi no 3º ano da licenciatura que começamos a partilhar grupos de trabalho e entretanto fomos percebendo que gostávamos de trabalhar juntos.

LXD – Quando decidiram enveredar pelo mundo do design?
Joana – Sempre tive a noção que a vertente artística me cativava mais que a científica, daí nos tempos livres dedicar-me à Música e à Pintura. Contudo, sempre fui versátil e gostava de fazer várias coisas. Só no 12º ano é que pensei realmente sobre o assunto e decidi estudar Design, por ser uma disciplina simultaneamente artística e racional e porque queria desenvolver coisas úteis para as pessoas.

Hugo – Eu cresci com o desejo de ser atleta de canoagem. Pratiquei a modalidade durante vários anos, chegando a ser atleta de alta competição. Até que tive de optar entre duas realidade exigentes: continuar a treinar intensivamente com a ambição de um dia chegar aos jogos olímpicos ou ir para a Universidade e estudar Design. Escolhi a segunda, porque faltaram os apoios necessários para continuar na canoagem. Hoje, vivo o Design da mesma forma que vivia a canoagem, com as mesma ambição – a de chegar em primeiro com um sorriso.

LXD – Quando tinham 6 anos de idade o que gostavam de ser quando fossem grandes? Designers?
Joana – Não me lembro muito bem. Talvez pintora. O Design como disciplina é muito recente, embora a sua prática sempre tenha existido. Por isso até ao ensino secundário não me passava pela cabeça ser Designer.
Hugo – Como referi, eu estava mais voltado para o Desporto. Aos seis anos ainda não era nem pensava ser atleta de canoagem, mas o Desporto em geral já me fascinava.

LXD – Qual a vossa formação?
Joana – Ambos concluímos a Licenciatura e o Mestrado em Design na Universidade de Aveiro. Embora o curso fosse de caráter geral, no Mestrado tivemos a oportunidade de escolher uma área específica de investigação. Eu desenvolvi a minha dissertação em Design de Informação aplicado à mobilidade nas cidades, mais concretamente à cidade de Aveiro, e em 2009 fui apresentá-la no IIID Traffic & Transport, em Viena, Áustria.

Hugo – Eu foquei-me no Design de Interfaces para Web. Desenvolvi investigação no Laboratório SAPO/UA, no projeto SAPO Campus, sendo que a minha dissertação abordou a intervenção do Design na conceção de um portal universitário. Entretanto, este portal foi nomeado para melhor aplicação multimédia educativa em 2009.

LXD – Na vossa recente carreira, com grande sucesso, têm tido os apoios necessários para avançarem com o vosso projecto?
DAM – O nosso projecto é ainda muito recente, mas já tivemos a oportunidade de contar com algum apoio. Com a vitória na categoria de mobiliário da 5ª edição dos POPs – Projetos Originais Portugueses – , organizada pela Loja do Museu de Serralves, formou-se uma parceria com a instituição. Esta parceria permite a venda dos nossos produtos na Loja do Museu de Serralves e disponibiliza mentoria para a aquisição de competências específicas através da colaboração da Designer Paula Sousa, CEO e fundadora da URBANMINT, Ginger & Jagger e MUNNA. Além disso, apesar deste prémio não ter dimensão internacional, já nos abriu portas a algum apoio financeiro, que é o caso da Bolsa do Passaporte para o Empreendedorismo, do Programa +e+i promovido pelo Governo de Portugal.

LXD – Como surgiu a marca DAM?
DAM – A DAM surgiu como um grupo de trabalho de designers e arquitectos que desenvolviam trabalhos conjuntos enquanto freelancers. Design, Arquitectura e Mobiliário eram as bases de trabalho desta equipa de 4 pessoas, que partilhavam diferentes visões da Arquitectura e do Design em projectos comuns, sobretudo de mobiliário.
Hoje, a DAM constitui uma marca de produtos de mobiliário e iluminação, que surge da cooperação entre Hugo Silva e Joana Santos. Manteve-se o nome DAM, mas a sigla significa Design Artesanato e Mobiliário, abandonando-se a vertente da Arquitectura.
No cruzamento entre tradição e modernidade, a marca reflecte materiais e técnicas tradicionais com desenho criativo e inovador. Apela às emoções, à simplicidade e à qualidade de vida, em harmonia com a natureza e a sociedade. A inspiração está na cultura portuguesa e nas coisas banais do quotidiano.

LXD – Qual a importância do LXD para DAM?
DAM – A participação da DAM no LXD permitirá o lançamento dos nossos produtos em Lisboa e a divulgação pela imprensa, o que constitui mais um passo para a promoção do projecto. Apesar do objectivo ser a dedicação ao mercado internacional, o mercado nacional é também importante, mais especificamente os centros urbanos do Porto e Lisboa, que se justifica pelo maior poder de compra, pelo maior fluxo de turistas e pela maior concentração de marcas e empresas de venda de produtos de Design. Com a participação no LXD também expectamos a criação de redes de contacto com o mercado externo.

LXD – Como vê a iniciativa dos NP DESIGNERS promovida pelo LXD?
DAM – Consideramos que a iniciativa dos NP DESIGNERS é uma oportunidade de promoção e divulgação de jovens criadores que, de outra forma, não conseguem alcançar no início da sua actividade. A falta de subsistência inicial dos projectos é muito comum e a participação em feiras é dispendiosa mas essencial para entrar no mercado.

LXD – Como se sentem por serem considerados um “NP DESIGNER” eleita pela comunidade de fãs LXD?
DAM – Ferramentas como o facebook têm hoje um papel muito importante na actividade e promoção dos projectos. Nesse sentido, foi um privilégio ser eleito.

LXD – Os Jovens designers têm “Palco” em Portugal?
DAM – Têm algum, mas o palco hoje é principalmente global. Os jovens designers portugueses concorrem lado a lado com jovens designers de todo mundo nas plataformas sociais como facebook, behance e diversos blogs da especialidade e têm tido excelentes resultados. Contudo, a situação económica actual e a falta de sensibilização para o que é a disciplina do Design constitui ainda uma grande desvantagem “no Palco Português”.

LXD – A vossa participação no LXD vai surpreender quem nos visitar?
DAM – Vamos trabalhar para isso!

LXD – Querem  avançar com algumas novidades ou vamos esperar pela surpresa no evento?
DAM – Pouco antes do LXD, estaremos na Feira 100% Design de Londres, no pavilhão de Portugal a apresentar a marca ao mercado internacional e contamos trazer novidades. O carácter surpresa é sempre mais desafiante, por isso vamos esperar pelo LXD para revelar novidades.

LXD – É fácil para um jovem designer ganhar proximidade junto dos media em Portugal?
DAM – Tudo depende do trabalho que é feito nos bastidores para chegar junto dos media, seja pelo Jovem Designer ou pelo Designer Sénior.

LXD – Que mensagem deixam para os jovens designers que ambicionam criar a sua marca?
DAM – Nesta fase tão inicial, somos um pouco suspeitos em deixar uma mensagem para jovens designers como nós. Simplesmente podemos dizer que o que temos feito é arriscar e tentar de todas as formas conseguir atingir os objectivos que vamos definindo. Estamos sempre atentos a novas iniciativas, concursos, feiras, revistas, blogs e fazemos vários contactos no sentido de divulgar ao máximo o nosso trabalho. Além disso, procuramos constantemente adquirir mais competências e conhecimentos junto daqueles que têm mais experiência e em várias áreas, porque temos muito para aprender. Sejam activos!

LXD – Pode a conjuntura económica global influenciar as tendências do design?
DAM – Não acreditamos muito nas tendências. Acreditamos naquilo que o Design é enquanto disciplina de projecto que relaciona em síntese a engenharia, gestão e arte, visando o desenho de artefactos culturais para a resolução ou antecipação de problemas. Nesse sentido, entendemos que “a necessidade aguça o engenho”! Por isso, a conjuntura económica global é uma oportunidade para fazermos melhor com menos.

LXD – O optimismo é uma ‘arma’ no design?
DAM – O optimismo é um modo de vida no Design. O designer trabalha para ajudar a construir para o futuro. E o futuro deseja-se positivo!

LXD – Consideram que os portugueses são criativos?
DAM – São tão bons como os melhores. Precisam é de trabalhar soluções com mais qualidade, comunicá-las melhor e acreditar mais naquilo que fazem.

LXD- Há horas do dia que fomentem a criatividade?
DAM – Só no final da manhã é que a criatividade começa a despertar. Antes ainda estamos em estado de arranque.

LXD – Qual a vossa fonte de inspiração?
DAM – A paixão que depositamos naquilo que fazemos. Fazemos o que gostamos! Depois, a inspiração para as peças nasce do nosso olhar atento sobre as coisas banais do quotidiano e, simultaneamente, do trabalho de pesquisa de mercado – produtos, materiais e técnicas.

LXD- Têm um “ídolo” no mundo do design?
DAM – É complicado escolher um “ídolo”. Existem sim Designers que aprendemos a admirar desde sempre.
Por exemplo, as cadeiras desenhadas por Charles & Ray Eames entre as décadas de 40 e 80 e comercializadas ainda hoje pela Vitra, marcaram a História do Design não só pelo desenho simples e emotivo, mas também pela revolução tecnológica a que obrigaram. Os contraplacados de madeira, as fibras de vidro e as malhas de metal são ainda hoje apostas das grandes marcas.
Outro exemplo é o trabalho dos irmãos Campana, pelo carácter experimental que trouxeram ao Design. A forma como transformam matérias simples do quotidiano ou coisas já inúteis em objectos nobres é de grande notoriedade. No fundo, transformam a visão artística do Ready Made de Marcel Duchamp em produtos comerciais.

LXD – Que designer nacional e internacional gostariam de privar durante um dia?
DAM – Já tivemos a oportunidade de privar com alguns designers de referência nacional, por isso escolheríamos 3 designers internacionais. Da parte da manhã estaríamos com o Marti Guixé a tomar o pequeno almoço e a rabiscar possivelmente a toalha de mesa. Da parte da tarde estaríamos com a Patrícia Urquiola e à noite iríamos beber uns copos com o Philip Starck.

LXD- Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
DAM – Não vemos as coisas com defeitos, mas com potencial para reinventar e contar novas historias.

LXD – O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
DAM – Não, ainda estamos longe de ver o Design como uma prioridade. Começa logo no exemplo do Governo, que cancelou o financiamento ao Centro Português de Design sem apresentar quaisquer alternativas, o que provocou naturalmente o seu encerramento. Depois temos a média, que continua a dizer nos anúncios “produto com Design” como se se tratasse de um requisito de estilo. Contudo, vão existindo empresas e entidades individuais e colectivas que estão empenhadas em fazer algo mais e que ajudam a dinamizar a nossa actividade.

LXD – Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
DAM – Os que sofrem maiores carências ao nível do Design são possivelmente a construção, a produção de máquinas e equipamentos, os têxteis e a alimentação. Contudo são também sectores com grande potencial de exportação e reanimação do mercado nacional. Os que apostam mais no Design são o vinho, o calçado, a hotelaria, a cultura e as telecomunicações.

LXD – A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso apontam?
DAM – Se hoje as exportações são a única alavanca sustentável do nosso país, isso deve-se em parte à incorporação da disciplina do Design nas estruturas de algumas empresas. Alguns exemplos que apontamos são a Fly London, a Amorim, a Silampos e a Renova.

LXD – Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para vocês, o melhor exemplo de design português?
DAM – No nosso sector, temos o exemplo da MUNNA. Com apenas 5 anos de existência é hoje uma marca de referência internacional no mobiliário de decoração de luxo e recebeu em 2012 o Prémio Internacional de Design e Arquitectura, na categoria de Melhor Cadeira, com a poltrona “Becomes me”. O trabalho da Paula Sousa (CEO da MUNNA) e da sua equipa, com o qual temos tido a oportunidade de privar, é altamente motivador e inspirador.

Curiosidades sobre a Joana e o Hugo

JOANA
Género musical preferido – Pop rock, Blues, Jazz e Country, dependendo do estado de espírito.
Género literário preferido – Ficção e Romance.
Autor preferido – Não tenho.
Realizador preferido – David Fincher.
Filme preferido – “Sexto sentido”, “A vida é bela” e “A troca”.
Livro de cabeceira – Não tenho.
Um álbum que o tenha marcado – A coletânea Legend, de Bob Marley.
Um livro que o tenha marcado – Atualmente dedico-me pouco à leitura de livros, mas houve um livro que me marcou – Filhos da droga.
Um filme que o tenha marcado – “A vida é bela”.
Nas férias: praia ou campo? – As duas.
Um destino de férias (nacional ou internacional) – Um sítio qualquer paradisíaco, com calor, praia, piscina e sem internet.
Pratica alguma actividade física? – Sim, várias actividades no ginásio.
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? – Praia de Tróia.
Qual a sua cor favorita? – Salmão e azul turquesa.
Qual o seu fruto favorito? – Morangos.
Divisão da casa favorita? – Varanda.
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? – Na sala, sentada em frente ao computador.
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? – Gosto de ir variando.
Prato preferido da gastronomia nacional – É difícil a escolha. São tantos os pratos fantásticos…
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Mousse de chocolate.
Água, vinho ou cerveja? – Água.
Têm algum animal de estimação? Como se chama? – Tenho um gato, o Ruca, quando o ‘rapto’ à minha irmã. É o gato da família!

HUGO
Género musical preferido – Jazz e Pop Rock
Género literário preferido – Investigação
Autor preferido – Zygmunt Bauman
Realizador preferido – Hayao Miyazaki
Filme preferido – “Into the wilde”.
Livro de cabeceira – Não tenho, deixo todos na estante.
Um álbum que o tenha marcado – Existem algumas músicas inesperadas, mas não as revelo.
Um livro que o tenha marcado – Livro de Inglês do 12ª ano, tive de repetir a disciplina e fiquei um ano só com esse livro.
Um filme que o tenha marcado – “A Lista de Schindler”
Nas férias: praia ou campo? – Vou misturando.
Um destino de férias (nacional ou internacional) – Uma praia exótica qualquer, com águas transparentes.
Pratica alguma actividade física? – Atualmente só corrida regular.
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? – Praia do Rio Cávado, em Vila de Prado.
Qual a sua cor favorita? – Azul turquesa.
Qual o seu fruto favorito? – Tudo o que tiver na cesta da fruta.
Divisão da casa favorita? – O metro e meio de sofá da sala.
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? – Os quarenta centímetros da cadeira da sala, em frente ao computador.
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? – Em casa, mas não muitos dias seguidos.
Prato preferido da gastronomia nacional – Papas de Sarrabulho.
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Pudim abade de Priscos.
Água, vinho ou cerveja? – Água.
Têm algum animal de estimação? Como se chama? – Cotão, gosta de se esconder debaixo da cama.