António Tudella – GOTO

Designer da marca GOTO

António Tudella - GOTO

António Tudella, designer da marca GOTO, é um jovem sonhador que acredita na palavra “ felicidade”. Sempre “maçou” as pessoas que o rodeavam com os seus desenhos e pinturas, inclusive fazia muito gosto em oferecer os seus trabalhos artísticos… Foi assim que começou a GOTO, com “rabiscos” que rapidamente ganharam forma e vida e hoje são uma marca de mobiliário e faz notícia nas revistas da especialidade… A apresentar a marca Goto no Lisboa Design Show, pretende surpreender os visitantes com a sua interpretação do mobiliário contemporâneo português e a utilização de materiais nacionais…

Quem é o Designer António Tudella
É um jovem com sonhos e ambições, que acredita que que nos dias de hoje ainda se pode ser feliz. Com formação em design de cerâmica, e com emprego na área de design de produto, é na área de mobiliário interior que consigo explorar ao máximo as minhas potencialidades.

Quando decidiu enveredar pelo mundo do design?
Desde cedo que sinto que maço um bocadinho as pessoas com os meus desenhos e pinturas que fazia gosto em oferecer. Hoje vejo que francamente não tem qualidade nenhuma… Mas acho, que foi uma opção muito natural, que foi sendo estruturada ao longo do percurso escolar. No 9.º ano optei pela área de artes e só no 12.º ano, quando tive que optar por uma só área, escolhi o design.

Quando tinham 6 anos de idade o que gostava de ser quando fosse grande? Designers?
Com 6 anos só pensava que queria ser Piloto de fórmula 1 ou chefe de secção, não sei bem de quê, mas era para ser como o meu pai que era chefe de secção, não piloto de fórmula 1…

Qual a sua formação?
Licenciatura em Design cerâmica na ESAD nas caldas da rainha. Após a licenciatura e com a transição para o modelo de bolonha ainda fiz umas cadeiras em design gráfico e participei no programa eramus na Universidade de Kuopio, Finlândia em design industrial (explorando as áreas de design de  abrigos e mobiliário urbano).

Na sua carreira, com grande sucesso, têm tido os apoios necessários para avançarem com o vosso projecto?
O nosso projecto é muito recente, pelo que daqui para frente e com o esperado e desejado crescimento, sentiremos uma maior necessidade de recursos financeiros. Até agora, temos que agradecer ao espírito visionário de instituições como o CRIA (Centro Regional para a Inovação do Algarve), a APCM (Associação Portuguesa de Comércio e Mobiliário), e a Xyami (empresa que dá vida às nossas criações), que têm acreditado em nós e nos têm apoiado no lançamento da marca.

Como e quando surgiu a marca GOTO?
Começou por ser uma brincadeira de rabiscos como tudo. Foi ganhando forma e função. Uma história, um sorriso, uma discussão, um amuo e passámos para o 3D para ter uma melhor noção do resultado.Vieram os bons feedbacks e os incentivos de família e amigos, e em Janeiro foi dado o primeiro passo (com o pé direito!)

Qual a importância do LXD para a GOTO?
A LXD é uma enorme montra, é um primeiro resultado de um esforço conjunto para chegarmos ao que pretendemos. E servirá não só para mostrarmos numa escala maior o nosso trabalho, mas principalmente vermos e avaliarmos a receptividade das pessoas. Ouvir o consumidor é valiosíssimo para qualquer marca, e na LXD teremos de certeza essa oportunidade.

Qual a dimensão da GOTO?
Neste momento somos 3 sócio-gerentes que neste momento pensamos, sonhamos e transpiramos GOTO. Cada um tem uma área distinta, e para nós é assim que faz sentido: Eu encarrego-me do Design, outro sócio encarrega-se da parte mais técnica devido à sua formação em Engenharia e o outro, ou melhor, outra… é responsável por desenvolver e implementar a estratégia de Marketing.

É consultado por jovens designers que querem entrar no mercado com uma marca?
Neste momento ainda me considero como um desses “jovens designers”. Não acho que esteja apto para dar conselhos, deixo isso para os mais experientes. Neste momento quero só absorver tudo, aprender e criar.

Que conselhos lhe dá?
O único conselho que lhes posso dar é: “Preparem-se, isto dá mais trabalho do que parece.”

Existe algum projecto de um jovem designer no mercado que tenha apoiado?
Actualmente existem inúmeros projectos nacionais de grande interesse que nascem da força, da motivação e criatividade de jovens profissionais. Usando estes maioritariamente as redes sociais e a internet para mostrar o seu trabalho. Apoio acompanhando, divulgando e votando sempre que estes estão em avaliação de projecto.

A sua participação no LXD vai surpreender quem nos visitar?
Vai pois. Tenho de dizer isto!!! Mas sim, são trabalhos com uma visão diferente e interessante da cultura e da tradição portuguesa. Os visitantes poderão encontrar peças com aplicações pouco comuns de materiais típicos e nacionais. No fundo, é a nossa interpretação do mobiliário contemporâneo português.

Quer  avançar com algumas novidades ou vamos esperar pela surpresa no evento?
Surpresa… Pretendemos apresentar peças novas.

É fácil para um jovem designer ganhar proximidade junto dos media em Portugal?
Em pouco tempo conseguimos sair na Maxim, Na revista Mobiliário em noticia, na Maxim novamente, e mais recentemente o jornal região de Leiria. A relação com os Media tem-se revelado fantástica! Mas facilita muito alguém como a Nádia (Sócia da GOTO) que tem já alguma experiência dentro da área.

Que mensagem deixam para os jovens designers que ambicionam criar a sua marca?
Não deixem de acreditar. Com força, paciência, trabalho, persistência, interesse e pesquisa, tudo é possível. Querer é poder, mas como diz o Bruno Aleixo “com cautela”, pois qualquer decisão tomada por impulso pode ser tão boa quanto perigosa.

O que mudariam no nosso país para aumentar a expressão do design nacional?
Mentalidades, a ideia de que o que é bom vem de fora. Faz-se tanta coisa boa e de qualidade em Portugal… é só preciso apostar mais e olhar em volta. Custa-me ver que muitas vezes o design português é tantas vezes reconhecido lá fora depois de anos e anos de trabalho inglório no nosso país! No entanto acredito que esta crise que estamos a viver servirá para despertar o “nacionalismo” dos portugueses e começarmos a valorizar mais o que é nosso.

Qual é o seu “ídolo” no mundo do design? Nacional e Internacional, porquê?
Isto é como perguntar: “Qual o teu filme favorito” e esperar que respondamos apenas um! Não consigo escolher, acho que tenho de nomear todos os meus professores na ESAD que para além de excelentes profissionais do Design, me apresentaram a outros grandes nomes da área (E ainda falta conhecer tanta gente…).

Pode a conjuntura económica global influenciar as tendências do design?
Tudo está a mudar com a conjuntura económica atual, e isso reflete-se no dia-a-dia, nas rotinas e nas inspirações. Quem cria alguma coisa, quem desenha, quem pinta, quem constrói e vai buscar inspiração no ambiente que o envolve tem de se adaptar à realidade que vê e onde está inserido. Neste momento as pessoas têm um sentido de enconomia, de aproveitamento e sensibilidade ambiental que há uns anos não tinham, e isso vai refletir-se invariavelmente na nossa criatividade e nos materiais que utilizamos. Chama-se adaptação.

Considera que os portugueses são criativos?
Claro que sim! Descobrimos meio mundo. Criamos milhentos instrumentos de navegação, ganhamos prémios lá fora em diferentes áreas e acima de tudo simplificamos a vida..via verde é bom exemplo disso e o copo de chocolate para a ginjinha também que alia a criatividade com o nosso famoso “desenrascanço”.

Há horas do dia que fomenta a criatividade?
Eu trabalho como designer, a tempo inteiro, numa empresa em Leiria, pelo que o tempo que disponho para criar peças para GOTO é limitado. Assim, aproveito os fins-de-semana e as noites, mas é depois da sesta que me concentro melhor, me sinto mais tranquilo e relaxado. Acho mesmo que os portugueses deviam adoptar este hábito maravilhoso de nuestros hermanos.

Qual a sua fonte de inspiração?
Não tenho uma fonte ou uma musa, tenho mais ou menos disposição para uma tarefa ou desenho. É algo que tenha visto na rua, num livro, numa foto, numa viagem, que passa para moleskine e mais tarde ganha uma outra vida numa Ilustração, num móvel…também as nossas vivências nos deixam mais alerta para determinadas abordagens ou utilização de materiais, no meu caso a Cerâmica nas Caldas da Rainha, que tem uma loiça muito própria e reconhecível.

Que designer nacional e internacional gostariam de privar durante um dia? E que programa faria com ele?
Konstantin grcic. Logo se via, não gostava de levar conversa ou um programa pré-pensado.

Um designer olha para os espaços, para as peças e acessórios sempre com ‘defeito’ criativo e transformador?
Claramente. Há peças, obras, edifícios entre outros que olhamos e gostamos ou não e depois há sempre aquela vozinha que nos diz “epá aquilo também ficava porreiro com… ou daquela cor… ou então epá eu não punha aquilo ali!”

O design faz parte das prioridades dos portugueses ou ainda não?
Começa a fazer. Já começa a ser visto como uma mais valia.
Tem diferentes áreas de intervenção e todas elas mexem e marcam o nosso ritmo de vida. Seja o gráfico, o industrial, multimédia ou interiores…

Consegue identificar os principais sectores económicos em Portugal com maior ausência de design nacional? E quais os que apostam mais na associação design/empresa?
Mais do que sectores, há empresas e há a visão de quem as dirige, que priorizam o design no lançamento dos seus produtos, na sua comunicação, na sua abordagem ao mercado. E existem as instituições sociais que com um menor poder económico não têm tanto acesso a este tipo de serviço/disciplina.

A exportação de design incorporado em bens e serviços é uma realidade em Portugal. Que exemplos de sucesso apontam?
A exportação tornou-se para muitos sectores, mais do que uma forma de expansão mas uma necessidade. Não estou muito por dentro deste panorama dado que “acabei de chegar”, mas percebo pela análise que fizémos do mercado do mobiliário que a exportação tem sido fundamental para a sobrevivência do sector, e as novas empresas de design de mobiliário estão a adaptar-se muito bem a esta realidade.

Independentemente do que é, ou não exportado, qual é, para vocês, o melhor exemplo de design português?
Para mim o melhor design português é tudo o que é inovador, o que puxa um bocadinho mais a corda e faz-nos dizer “Como é que eu nunca pensei nisto?”. E pela nossa experiência, que é pouca bem sabemos, a observar alguns stands em feiras que as pessoas procuram coisas diferentes, funcionais e de qualidade.

Curiosidades sobre António Tudella

CURIOSIDADES SOBRE ANTÓNIO TUDELLA

Género musical preferido – não há um género, mas identifico-me com hip-hop, soul, r&b. Mas confesso que tenho um disco do Paco Bandeira…
Género literário preferido – banda desenhada e livros de ilustração;
Autor preferido – devo confessar que não leio muitos livros que não sejam técnicos ou da especialidade, por isso, inevitavelmente tenho que referir hugo pratt, autor de corto maltese
Realizador preferido – Tarantino;
Filme preferido – Lá está aquela pergunta difícil… vou dizer: Sozinho Em Casa! O meu tio Miro obrigou-me a passar horas a tirar fotografias com aquele ar tonto e espantado, que toda a gente dizia ser igual ao do actor, por isso este talvez tenha um lugar diferente, por razões emocionais. Depois, gosto muito de cinema e gosto mesmo de filmes estranhos, surpreendentes, pouco óbvios ou claramente absurdos, gosto do A,B,C do Amor do Woody Allen, Wild at Heart do David Lynch, ou as recordações da casa amarela do João césar monteiro, gato preto, gato Branco do Kusturica. Como melhor filme de todos os tempos, acho que escolho o Star Wars, ou vários do James Bond… Não consigo mesmo escolher…
Livro de cabeceira – corto maltese, não conheço outra banda desenhada tão “perfeita”;
Um álbum que o tenha marcado – um CD da minha irmã que andava lá por casa, o unplugged dos Nirvana e que ouvi repetidamente e durante horas a fio. Mais tarde, o primeiro vinil que comprei do Orelha Negra e que me fez querer procurar a essência da música e a estimulação dos sentidos;
Um livro que o tenha marcado – O 1.º livro do Harry potter, que aos 12 anos me conseguiu prender até à última página (e na altura era mesmo grande). Antes disso, e com grande gosto pela ilustração passava horas a olhar para os livros do Wally – acho que aqui nasce, em parte, a minha obsessão pelos pormenores/atenção ao detalhe;
Um filme que o tenha marcado – E.T.
Nas férias: praia ou campo? Noite
Um destino de férias (nacional ou internacional) – Portinho da Arrábida
Pratica alguma actividade física? – Mappling!
Em férias, qual o destino nacional que recomenda? – são Pedro de Moel;
Qual a sua cor favorita? – não sei se o vermelho ou o azul, mas depende dos dias, penso que o facto de gostarmos de alguma cor em especial não tem nenhuma explicação;
Qual o seu fruto favorito? Morangos e também gosto de pêras, rijas mas muito sumarentas;
Divisão da casa favorita? WC
Divisão da casa onde passa mais tempo acordado? No escritório, a trabalhar.
Prefere trabalhar em casa ou fora de casa? Em casa, pois consigo mais facilmente criar um ambiente óptimo para me concentrar;
Prato preferido da gastronomia nacional – Bacalhau com broa da tia Manela;
Sobremesa preferida da gastronomia nacional – Pastéis de nata;
Água, vinho ou cerveja? Depende do estado de espírito;
Têm algum animal de estimação? Como se chama? Tenho 3 afilhadas tartarugas que se chamam Toyota, Toshiba e Mitsubishi.